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Publicado em maio - junho de 2017

APARECIDA: casa da mãe de Deus e do povo brasileiro

Por Pe. José Oscar Beozzo

Celebram-se logo mais os trezentos anos do encontro, por três pescadores – Domingos Garcia, João Alves e Filipe Pedroso –, na segunda quinzena de outubro de 1717, de uma pequena imagem em terracota da Virgem Maria. Media apenas 39 centímetros de altura e estava enegrecida pelo lodo das águas do Rio Paraíba do Sul, de onde fora retirada. Ganhou o nome de “Aparecida”. 

 Introdução

O local do encontro da pequena imagem de Aparecida em 17 de outubro de 1717 pelos pescadores Domingos Garcia, João Alves e Filipe Pedroso foi o Porto de Itaguaçu, que pertencia à Vila de Guaratinguetá, no Vale do Paraíba, a meio caminho entre a Vila de São Paulo e a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Por ali passava também a trilha de bandeirantes e tropeiros em demanda aos arraiais do ouro recém-descoberto, nos inícios do século XVIII, nas montanhas e rios de Minas Gerais.

Os três pescadores haviam saído em busca de peixe, para a festa que a Câmara da Vila de Guaratinguetá queria oferecer ao conde de Assumar, recém-nomeado governador da Capitania de São Vicente. Estava de passagem pela vila na sua jornada para as Gerais.

“Tentamos a noite inteira e nada pescamos…” (Lc 5,5)

Fora de temporada, eles e outros pescadores nada conseguiram. Depois de uma noite toda de vã labuta, invocaram a Virgem. Em vez de peixe, a rede trouxe o corpo de uma imagem da Virgem da Conceição. Num segundo intento, nada de peixe, mas, embaraçada na rede, encontraram a cabeça da santa. Logo em seguida, ao tentarem a sorte novamente, vieram tantos peixes que a rede quase se rompia.  A pesca abundante e inesperada foi por eles considerada uma graça da Virgem.

Durante os quinze anos seguintes, a imagem reparada permaneceu na humilde casa de Filipe Pedroso, onde as pessoas da vizinhança se reuniam à noite para orar. Com o aumento dos devotos, a família ergueu um oratório no Porto de Itaguaçu, que logo se revelou pequeno perante o afluxo de fiéis. Isto levou o vigário, contra a vontade da família, a iniciar a construção de uma capela no alto do morro dos Coqueiros, aberta aos fiéis em 1745, para onde foi transferida a imagem.

Uma pergunta surge espontânea: O que levou essa devoção surgida da fé de homens simples do povo, rudes pescadores de um lugarejo perdido, a converter-se no maior santuário mariano do mundo? Com cerca de 13 milhões de peregrinos a cada ano, coloca-se no mesmo nível dos mais visitados da cristandade: Guadalupe, no México; Lourdes, na França; Fátima, em Portugal; Jasna Góra, em Czestochowa, na Polônia.

  1. O Brasil escravocrata e a Virgem Negra de Aparecida

A esse relato fundador sobre os pescadores juntam-se muitos outros, mas em especial o do escravo fugido, capturado e levado algemado de volta à fazenda do seu senhor.

Corria o ano de 1850, época em que o Vale do Paraíba, com suas fazendas de café, havia roubado dos engenhos de açúcar da Bahia e de Pernambuco, e das minas de ouro e diamantes de Minas Gerais, a primazia econômica do país. A riqueza brotava dos milhões de pés de café que passaram a cobrir as encostas dos morros do Vale do Paraíba fluminense e paulista, fazendo surgir ao seu redor povoados e cidades. Os novos ricos eram enobrecidos pelo imperador, que lhes vendia os títulos de barões e marqueses. Dezenas de milhares de escravos, sob o olhar omisso, quando não conivente, das autoridades foram trazidos às pressas da África para suprir a falta crescente de mão de obra. Desafiava-se abertamente a lei de 1831, que tornara ilegal o tráfico negreiro entre as costas da África e do Brasil, mas por cujas malhas frouxas passaram mais de meio milhão de escravos ao arrepio da lei. Com o bloqueio dos portos brasileiros pela armada britânica e com o apresamento dos barcos negreiros, nova lei de 1850, a Lei Euzébio de Queiroz, baniu definitivamente o tráfico transatlântico. Foi logo substituído pelo tráfico interprovincial. Passaram a fluir, por terra e por mar, da decadente economia dos engenhos de açúcar do Nordeste e das esgotadas minas de ouro das Gerais, levas e levas de escravos vendidos ao regime mais duro e exigente do café nas florescentes fazendas do sul de Minas, do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Quando o escravo fugido, mas recapturado e algemado, pede para orar durante um momento diante da capelinha e da imagem da Virgem Aparecida e caem as algemas dos seus braços, passou a Virgem a ser associada à denúncia da miserável sorte dos escravos e à compaixão para com eles, que representavam ainda mais da metade da população brasileira, naquele ano de 1850.

  1. Nazaré e Aparecida, virgens libertadoras de indígenas e negros

Das centenas de invocações de Nossa Senhora pelo país afora, duas estão intimamente associadas a relatos libertadores. No norte do país, afluem de toda a região amazônica cerca de dois milhões e meio de romeiros para a procissão do Círio de Nossa Senhora de Nazaré em Belém do Pará, no segundo domingo de outubro. Na lenda popular, a pequena imagem de madeira enegrecida encontrada na orla da floresta pelo caboclo Plácido, mestiço de índia com português, foi levada pelo governador para a capela do palácio. A imagem teimava, porém, em retornar à beira da mata para a pequena ermida ali erguida pelo descendente de indígenas. Aos olhos do povo, entre o lugar dos poderosos e o da população indígena e mestiça, secularmente explorada e dizimada na bacia amazônica, a Virgem ficava com os pequenos, e não com os poderosos.

Leitura semelhante ocorre em Aparecida. No quadro da profunda desigualdade da sociedade escravista do Brasil, a Virgem não se colocou ao lado do capitão do mato que arrastava o escravo agrilhoado nem dos fazendeiros escravocratas do Vale do Paraíba, mas do pobre negro capturado. Fez cair dos seus braços os instrumentos pesados do seu cativeiro e restituiu-lhe a liberdade.

Tanto em Belém como em Aparecida, há uma persistente tensão entre a apropriação popular do símbolo sagrado, por um lado, e a eclesiástica ou estatal, por outro. Há evidente mal-estar entre o povo quando, no dia da festa, figuras políticas, sejam elas governadores ou prefeitos, são convidadas a fazer uma das leituras da missa. Por outro lado, lavradores, operários, povo simples do campo ou da periferia da cidade, em particular as mulheres, fazem do santuário sua própria casa, a casa da Mãe Aparecida.

  1. Mulheres nas lides da vida e na busca por igualdade e dignidade

Em todo o universo mariano, o sagrado é lido em chave feminina, com sua gramática própria, numa clara denúncia de uma tradição excludente e machista em relação às mulheres. O cântico de Maria no Magnificat ganha todo o seu significado quando mulheres sobem de joelhos a ladeira da Basílica Velha e param por um momento diante da imagem na Basílica nova, agradecendo pelas graças ou apresentando seus pedidos: “Minha alma engrandece o Senhor… porque olhou para a humildade de sua serva… Derrubou os poderosos dos seus tronos e exaltou os humildes. Encheu de bens os famintos e aos ricos despediu de mãos vazias” (Lc 1,46-53).

Por todo o período colonial até 1822 e mesmo durante o imperial, entre 1822 e 1889, Aparecida permaneceu uma devoção pouco mais que local, com limitada irradiação. Não se pode compará-la às prestigiosas Nossas Senhoras da Penha, em Vitória (ES), São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ), à Nossa Senhora dos Navegantes, em Porto Alegre (RS), ou do Desterro, em Florianópolis (SC); nem à Nossa Senhora do Morro da Conceição, no Recife (PE), ou à da Conceição da Praia, em Salvador (BA); ou ainda à Virgem da Purificação da Praia Vermelha, em Salvador e em Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano. Em Minas Gerais, venera-se por toda parte a Nossa Senhora da Serra da Piedade do beato Lourenço, hoje padroeira do estado.

  1. Deslocamento do eixo econômico, político e religioso do Brasil: do Nordeste para o Sudeste

Lentamente, porém, o eixo econômico e populacional do país deslocou-se do Nordeste açucareiro, hegemônico nos séculos XVI e XVII, para a corrida do ouro em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso durante o século XVIII, e fixou-se finalmente nas fazendas de café, primeiro no Vale do Paraíba fluminense e paulista e depois no oeste do estado de São Paulo.

Aparecida vai encontrar-se na convergência de um triângulo, a meio caminho entre São Paulo e Rio de Janeiro na sua base e com o vértice voltado para Minas Gerais. Nesses três estados do Sudeste, concentra-se hoje cerca de 40% da população do país. Aparecida entrou no traçado da estrada de ferro Dom Pedro II, que começou a ser construída em 1855, com o intuito de ligar a Província do Rio de Janeiro à de São Paulo, com um ramal para Minas Gerais. Em 1877 Aparecida já estava ligada, por estrada de ferro, ao coração da rede que depois se chamou Central do Brasil. Na década de 1920, passou por Aparecida a ligação rodoviária entre Rio e São Paulo e, depois da Segunda Guerra Mundial, a rodovia Presidente Dutra, a mais importante do país devido ao contínuo fluxo de pessoas e mercadorias. Isto facilitou sobremaneira o afluxo de romeiros ao santuário, levando à decisão de construir uma nova basílica, a partir de 1955.  A obra foi encomendada ao arquiteto Benedito Calixto, que idealizou um edifício em forma de cruz grega, capaz de abrigar 45 mil pessoas, com 173 metros de comprimento por 168 metros de largura; as naves laterais medem 40 metros e a cúpula tem 70 metros de altura.

  1. Da padroeira herdada da monarquia para a Virgem do povo

Crucial para a consolidação de Aparecida como referência nacional foi a decisão do cardeal dom Sebastião Leme, do Rio de Janeiro, de solicitar ao papa Pio XI que Aparecida fosse declarada padroeira do Brasil.

Até então, os padroeiros do país eram São Pedro de Alcântara, por conta do nome do primeiro imperador, Pedro I (1822-1831), e Nossa Senhora da Glória, cuja Igreja no Outeiro da Glória tornou-se capela imperial e em cuja irmandade se inscreviam os membros da família real.

Por decreto papal de 16 de julho de 1930, trocava-se a Virgem ligada à monarquia por uma virgem negra, que evocava a chaga do passado escravista e a longa luta pela abolição e estava ligada às camadas mais humildes da população. Sua “apresentação” ao povo brasileiro aconteceu no tumultuado contexto sociopolítico que viveu o país, com a revolução de outubro de 1930 que derrubou a República Velha e com a instável situação do governo provisório do presidente Getúlio Vargas. A imagem da Aparecida atravessou de trem, na noite e na madrugada de 31 de maio de 1931, os mais de duzentos quilômetros que a separavam do Rio de Janeiro, com as estações ferroviárias apinhadas de devotos que esperavam a passagem da imagem e sua bênção. À sua chegada à capital da República, protagonizou procissão de mais de meio milhão de pessoas, a maior concentração popular da história da cidade até então. Aconteceu naquele momento sua consagração como nova padroeira do Brasil. Somava-se ao decreto papal a unção popular na capital do país. O evento realizado perante todos os ministros e o chefe do governo provisório foi fundamental na posterior reformulação e superação, pela Constituinte de 1934, dos laivos laicistas da Constituição republicana de 1891.

  1. Os missionários redentoristas em Aparecida

Fundamental na consolidação de Aparecida como polo espiritual são os mais de 100 anos de presença constante dos missionários redentoristas no cuidado do santuário e no atendimento aos romeiros.

Foram trazidos da Alemanha pelo bispo de São Paulo, dom Lino Deodato, em 1894. Logo começaram a editar o “Jornal Santuário” com gráfica própria e o “Manual do Devoto de Nossa Senhora Aparecida”, com mais de 70 edições e meio milhão de exemplares, que espalharam a devoção país afora. Em 1951 foi criada a Rádio Aparecida, hoje potente emissora cujas ondas cobrem todo o território nacional. A partir de 2005, o santuário passou a contar com sua emissora televisiva, a TV Aparecida. O jornal – mas sobretudo a rádio, identificada por muitos anos com a voz do Pe. Vitor Coelho de Almeida – levou a mensagem de Aparecida aos últimos rincões do país, atraindo mais e mais romeiros ao santuário, alvo de ininterruptas romarias de associações, paróquias, dioceses, movimentos religiosos e sociais.

  1. Roma e Aparecida

 De Roma, veio crescendo a atenção ao santuário. Pio X concedeu-lhe o título de Basílica menor em 29 de abril de 1908. Pio XI declarou N. S. Aparecida padroeira principal do Brasil em 1930. Em 1967, ao completarem-se 250 anos da devoção, o papa Paulo VI ofereceu ao santuário a “Rosa de Ouro”.  João Paulo II, em sua primeira viagem ao Brasil, consagrou a Basílica no dia 4 de julho de 1980. Pouco antes da visita papal, o Parlamento brasileiro aprovou a Lei nº 6.802, de 30 de junho de 1980, que reconhece Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil e decreta como feriado nacional o dia de sua festa, 12 de outubro.

  1. Aparecida e a pátria grande latino-americana

O que colocou Aparecida na grande corrente da Igreja latino-americana e mesmo universal foi a decisão de Bento XVI de convocar para ali a V Conferência-Geral do Episcopado Latino-Americano, de 13 a 31 de maio de 2007.

 As anteriores conferências-gerais do episcopado latino-americano aconteceram no quadro de eventos massivos: a primeira delas ao final do XXXIV Congresso Eucarístico Internacional do Rio de Janeiro, em 1955, de 25 de julho a 4 de agosto. Aconteceu, porém, nas dependências fechadas do Colégio Sacré Coeur, na então capital federal. A segunda, em 1968, foi aberta por Paulo VI em Bogotá, na Colômbia, ao término do XXXIX Congresso Eucarístico Internacional, no dia 24 de agosto, mas foi transferida no dia seguinte para Medellín, onde os bispos ficaram reclusos até o dia 6 de setembro no seminário arquidiocesano daquela cidade. Segundo o testemunho de dom Helder Camara, os bispos ficaram isolados do povo no alto de um morro, de onde se podia de noite apenas vislumbrar ao longe as luzes da cidade esparramada pelo vale. João Paulo II, por sua vez, abriu a III Conferência no Seminário Palafoxiano de Puebla de los Angeles, no México, onde os bispos estiveram reunidos no período de 27 de janeiro a 13 de fevereiro de 1979. Em Santo Domingo, na República Dominicana, de 12 a 28 de outubro de 1992, a IV Conferência-Geral do Episcopado Latino-Americano desenrolou-se também em ambiente inteiramente apartado do povo.

Em Aparecida, ao invés, diariamente, em todas as suas orações, os bispos estiveram reunidos e celebrando com milhares de romeiros, no recinto mesmo da Basílica.

Este entrelaçamento quotidiano com o vai e vem dos romeiros onde pulsava a força da fé popular teve profundo impacto sobre os trabalhos e os rumos da conferência, que tinha continuamente diante dos olhos o povo ao qual ela estava se dirigindo.

Os bispos tocaram com as mãos, os olhos e os ouvidos, de modo bem visível e concreto, a experiência da fé e piedade do povo dos pobres, batendo à porta do santuário e entrevendo ali uma presença materna e acolhedora, misericordiosa e esperançadora do Deus dos pequenos e humilhados. Reconheceram então, com humildade, no documento final, que aquele povo dos romeiros os tocara e os evangelizara:

“Sentimo-nos acompanhados pela oração de nosso povo católico, representado visivelmente pela companhia do Pastor e dos fiéis da Igreja de Deus em Aparecida, e pela multidão de peregrinos de todo o Brasil e de outros países da América ao santuário, que nos edificaram e evangelizaram” (DAp 3).

Aparecida transformou-se, finalmente, em referência mística e espiritual para a missão. Assim como das praias do lago da Galileia, em que Jesus chamou os primeiros discípulos e de onde os enviou como discípulos/missionários para serem pescadores de homens, assim também da conferência e mais precisamente de Aparecida partiu o convite para lançar as redes para a missão continental e mundial:

Agora, desde Aparecida, convida-os a lançar as redes ao mundo, para tirar do anonimato aqueles que estão submersos no esquecimento e aproximá-los da luz da fé. Ela, reunindo os filhos, integra nossos povos ao redor de Jesus Cristo” (DAp 265).

  1. O papa Francisco e Aparecida

O cardeal Jorge Bergoglio, arcebispo de Buenos Aires e presidente da Conferência Episcopal Argentina, coordenou a comissão de redação do Documento de Aparecida. Envolveu-se diretamente com as CEBs, a Pastoral da Juventude e as pastorais sociais que montaram durante a Conferência de Aparecida a Tenda dos Mártires, aberta durante vinte e quatro horas ao longo da conferência. Pediu para concelebrar – junto com dom José Luiz Bertagna, bispo de Registro (SP) e responsável pelas CEBs, dom Julio Cabrera Ovalle, bispo do Quiché na Guatemala, e dom Demétrio Valentini, bispo de Jales –, na madrugada do domingo, dia 21 de maio, a missa de encerramento da Romaria noturna de Roseira a Aparecida, promovida pelo Fórum de Participação da V Conferência-Geral do Episcopado Latino-Americano. Uma vez eleito papa, a 13 de março de 2013, fez do Documento de Aparecida uma espécie de roteiro e inspiração para o seu pontificado. Em sua primeira viagem internacional, de 22 a 28 de julho de 2013, para a XXVIII Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, insistiu, fora do roteiro já decidido, que fosse precedida por uma peregrinação sua ao santuário de Aparecida.

Ali declarou o papa Francisco na sua saudação:

Quanta alegria me dá vir à casa da Mãe de cada brasileiro, o santuário de Nossa Senhora Aparecida. No dia seguinte à minha eleição como bispo de Roma fui visitar a Basílica de Santa Maria Maior, para confiar a Nossa Senhora o meu ministério. Hoje eu quis vir aqui para suplicar a Maria, nossa Mãe, o bom êxito da Jornada Mundial da Juventude e colocar aos seus pés a vida do povo latino-americano.

Queria dizer-lhes, primeiramente, uma coisa. Neste santuário, seis anos atrás, quando aqui se realizou a V ConferênciaGeral do Episcopado da América Latina e do Caribe, pude dar-me conta pessoalmente de um fato belíssimo: ver como os bispos – que trabalharam sobre o tema do encontro com Cristo, discipulado e missão – eram animados, acompanhados e, em certo sentido, inspirados pelos milhares de peregrinos que vinham diariamente confiar a sua vida a Nossa Senhora: aquela conferência foi um grande momento da vida da Igreja. E, de fato, pode-se dizer que o Documento de Aparecida nasceu justamente deste encontro entre os trabalhos dos pastores e a fé simples dos romeiros, sob a proteção maternal de Maria. A Igreja, quando busca Cristo, bate sempre à casa da Mãe e pede: “Mostrai-nos Jesus”. É de Maria que se aprende o verdadeiro discipulado. E, por isso, a Igreja sai em missão sempre na esteira de Maria.

Assim, de cara à Jornada Mundial da Juventude que me trouxe até o Brasil, também eu venho hoje bater à porta da casa de Maria, que amou e educou Jesus, para que ajude a todos nós, os pastores do povo de Deus, os pais e os educadores, a transmitir aos nossos jovens os valores que farão deles construtores de um país e de um mundo mais justo, solidário e fraterno. Para tal, gostaria de chamar a atenção para três simples posturas, três simples posturas: conservar a esperança; deixar-se surpreender por Deus; viver na alegria (papa Francisco, homilia na Basílica de Aparecida, 24-7-2013).

Pe. José Oscar Beozzo

Vigário da Paróquia São Benedito na Diocese de Lins (SP), membro do Centro de Estudos de História da Igreja na América Latina e coordenador-geral do Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular do CESEEP. E-mail: jbeozzo@terra.com.br