Artigos

Publicado em março-abril de 2017

Biomas existenciais originantes: a terceira margem da memória

Por Felipe Magalhães Francisco

O artigo propõe uma reflexão sobre os biomas, de um ponto de vista existencial, extrapolando o conceito científico, numa leitura teológica. Para isso, o autor busca o conceito de memória para sinalizar que a cultura traz, em si, características originantes desses biomas, proporcionando verdadeiras possibilidades de comunhão entre todas as criaturas.

Introdução

O Brasil é múltiplo. Uma de suas maiores riquezas está na diversidade. Como país continental, é difícil perceber seus traços gerais, que tendem a uma “universalização” da cultura, dos costumes, das tradições. É certo que, mesmo nos países menores, territorialmente, essa diversidade também se faz notar, afinal a cultura é viva e está em constante evolução. Ao considerarmos tudo isso, contextualizando nossa experiência de Brasil, toda essa diversidade se expande para um nível macro: o Brasil contém o mundo em si.

Cada rincão de nosso país carrega peculiaridades que compõem uma grande colcha de retalhos de nossa cultura viva, pulsante e tropical. O Brasil é um complexo sistema cultural e social, formando um verdadeiro ecossistema existencial. A saúde desse ecossistema, importa dizer, encontra-se sempre ameaçada, como fruto amargo de um país que carrega as marcas de ser um dos mais desiguais do mundo. A força vital que sempre irrompe, no entanto, aos modos de um sistema imunológico, é a importante resiliência que carrega o povo brasileiro, que cultiva sua alegria e suas esperanças, para que a vida não esmoreça.

O Brasil é um país casa. Por isso se configura como verdadeiro ecossistema existencial. A palavra eco significa, justamente, casa: a casa que nos abriga e que nos é comum. Foi casa para as populações originárias e tem sido casa para muitos que, desde que os portugueses aqui atracaram, continuam a chegar, agregando mais diversidade à cultura e à vida do país. Essa diversidade, aliás, é fruto de muitos encontros: tanto os resultantes das invasões e da exploração quanto dos realmente frutos de espaços de acolhida. Em meio a essa diversidade há, tão certo, o traço sombrio, que se mostra como exploração, como percebemos ao nos confrontarmos com toda a face terrível da colonização, que se estende aos dias de hoje, perpetuando a tragédia da desigualdade.

Mesmo em meio a tantas ambiguidades, a criatividade humana continua se desdobrando em muitas formas de vida, em constante enfrentamento das muitas mortes. E é justamente isso que configura este grande país e esta grande nação como um ecossistema: a vida vai se organizando para que sobressaia às reais e latentes possibilidades de morte. Sinal disso é o rico despertar artístico em todos os cantos do país, sobretudo pela música e pela literatura, que dizem o humano de forma única e profunda, além de nos impulsionar sempre rumo a uma utopia que não esmorece.

Motivados por toda essa riqueza, que nos configura com o que aqui chamamos de ecossistema existencial, queremos, com o presente artigo, refletir a respeito dos biomas existenciais, pensando nosso enraizamento nessa casa complexa chamada Brasil, bem como nossa pertença a ela, e também o mundo de um ponto de vista teológico-existencial. Para cumprir tal empresa, partimos da ideia de que formamos biomas existenciais originantes, num primeiro momento. Para explicitar isso, num segundo momento, nossa leitura irá se pautar pela categoria da memória, em seus desdobramentos para a fé e para a caridade.

  1. Biomas existenciais originantes: uma ressignificação1.1. Biomas

A palavra bioma é uma junção de duas palavras gregas: vida e massa. Configura-se como a organização da vida de determinado ambiente, numa relação entre a pluralidade dos seres vivos, para que essa vida prospere. Em nosso país continental, encontramos seis biomas: a Amazônia, o maior bioma brasileiro; a caatinga, o bioma exclusivamente brasileiro; o cerrado, o segundo maior bioma do país; a Mata Atlântica, um bioma de floresta tropical; o pampa, um bioma de planícies; e o Pantanal, um dos ecossistemas mais ricos do país.

Os biomas são sempre organização natural da vida. Seja por sua própria constituição, seja em relação aos outros biomas, como é o caso do Brasil. No que diz respeito àquilo que constitui um bioma, essa organização dos seres se dá num movimento de constante adaptação das formas de vida às condições apresentadas por esse determinado bioma. A literatura nacional nos é de grande inspiração para perceber o movimento de prosperidade da vida, nessa relação com a natureza. É o caso da célebre obra Grande sertão: veredas, do literato mineiro João Guimarães Rosa.

O romance é, sobretudo, uma narração de amor feita por Riobaldo, um jagunço sertanejo. É declaração de amor tanto pelo sertão quanto por Diadorim, personagem do romance que mais se adaptou à vida junto aos jagunços. É narração de amor tal como ele é: amor que se faz, no cotidiano do existir, no aceitamento do ser do outro, em meio à guerra e à luta pela sobrevivência, cultivando a lealdade e a gratidão:

Amigo? Aí foi isso que eu entendi? Ah, não; amigo, para mim, é diferente. Não é um ajuste de um dar serviço ao outro, e receber, e saírem por este mundo, barganhando ajudas, ainda que sendo com o fazer a injustiça aos demais. Amigo, para mim, é só isso: é a pessoa com a qual a gente gosta de conversar, do igual o igual, desarmado. O de que um tira prazer de estar próximo. Só isso, quase; e os todos sacrifícios. Ou — amigo — é que a gente seja, mas sem precisar de saber o por quê é que é (GUIMARÃES ROSA, 2006, p. 180).

O amor-amizade narrado por Riobaldo mostra a sua relação de gratuidade tanto com seus iguais quanto com o sertão, do qual é filho. A gratuidade na sua relação com o sertão se mostra, ainda, como lugar de reservada distância, tal como se mantém em relação ao sagrado. O sertão é, nesse caso, merecedor de um respeito que parece ser fruto de uma consciência do lugar que ocupa nesse infinito existencial. Essa realidade nos aponta para o lugar do humano junto às realidades criadas: ainda que Riobaldo fosse um jagunço, conhecedor do sertão, ele não assume o lugar da dominação, mas se integra ao sertão, como parte dele, ocupando o lugar de um reverencial respeito: “Sertão. Sabe o senhor: sertão é onde o pensamento da gente se forma mais forte do que o poder do lugar. Viver é muito perigoso…” (GUIMARÃES ROSA, 2006, p. 25).

Há dor no sertão. Mas não só. O sertão é um palimpsesto: nele há camadas infinitas de vida, mundos inteiros revelados em luz, poe­ira e calor; arranhaduras de histórias que se entrelaçam e tecem a teia do existir, narram os caminhos infindos que fazem despontar muitos horizontes; via única a desembocar na terceira margem do amor. Só quem viveu um crepúsculo pôde descobrir isso, a imensidão do sertão, que não é aridez, tampouco secura. É fertilidade plena, tal como ensinam os mandacarus a florescerem sob as estrelas. Tal olhar para o sertão, como nos inspira a narração de Riobaldo, só se faz possível quando se vive em comunhão com o chão que nos sustenta, com o bioma que nos abraça. Essa é uma forte vocação de toda a criação. Eis um exemplo do que chamamos, aqui, de biomas existenciais originantes.

1.2. Vocação para a comunhão

Por muito tempo, o ser humano se considerou o centro de toda a criação, o que lhe dava autoridade para submeter a natureza criada ao seu domínio. Ainda hoje vivemos em tal consciência, apesar de muitos esforços que buscam a transformação dessa mentalidade. De fato, o ser humano ocupa um lugar especial na criação: “Que coisa é o ser humano, para dele te lembrares, o filho do homem, para o visitares?” (Sl 8,5), é o que pergunta o salmista, maravilhado ante a grandiosa obra do Senhor, que faz com o que o ser humano reconheça sua pequenez. Mesmo pequeno, sabe que ocupa um lugar dado pelo próprio Criador: “No entanto, o fizeste só um pouco menor que um deus, de glória e de honra o coroaste. Tu o colocaste à frente das obras de tuas mãos” (Sl 8,6-7).

Já na narrativa da criação, essa vocação desponta: “O Senhor Deus tomou o homem e o colocou no jardim do Éden, para o cultivar e o guardar” (Gn 2,15). Homem, que aqui equivale a ser humano, diz respeito à terra da qual foi modelado, sendo um só com ela: “Então o Senhor Deus formou o ser humano com o pó do solo” (Gn 2,7). E é justamente por, desde sempre, ter recebido a vocação de cultivar o jardim, lugar da convivência, que o ser humano precisa cuidar dele, em comunhão, que significa, também, cuidar de si mesmo, já que é um com a terra que integra.

É nesse horizonte que nos propomos a pensar os biomas de um ponto de vista existencial. Não apenas de um ponto de vista científico, duro, mas como originantes de uma vida de comunhão. É o que nos inspira a relação de Riobaldo, de Grande sertão: veredas, com o sertão. Não podemos nos reconhecer como pessoas fora do chão existencial que nos sustenta e que nos integra. É o que faz constantemente Riobaldo, ao narrar sua vida, sempre a remetendo ao sertão, que ganha ares muito mais amplos que territoriais: sua vida e o sertão são um só.

É o lugar da comunhão que todo ser humano é chamado a ter com seu bioma, que precisa ganhar contornos existenciais. Não nos é estranho, nessa perspectiva, identificar cada bioma existencial com o Éden, o jardim da deliciosa convivência, ainda que com características tão próprias e nem sempre paradisíacas. Trata-se de encontrar sentido para sua existência, numa postura de comunhão com o conjunto da vida, de maneira harmoniosa e sem nenhum traço utilitarista.

O convite à fecundidade e ao crescimento é feito a partir da dinâmica do amor. Só no amor o ser humano pode submeter a criação, como sinal de bênção do Senhor (cf. Gn 1,28), da mesma forma como o Criador lida com suas criaturas. Essa é a responsabilidade humana de ser imagem e semelhança de seu Criador (cf. Gn 1,27). O amor-responsabilidade faz com que, à imagem e semelhança do Criador, participemos da criação de modo ativo: na comunhão com o mundo criado, fazer de nossa existência uma cultura originante, a fim de que essa comunhão se torne cada vez mais profunda. Como elemento fundamental dessa dinâmica originante, a partir dos biomas existenciais, está a importância da memória, força motriz de fé e de caridade.

  1. A terceira margem da memória

Somos seres de memória: mais que pés presos ao passado, a memória atualiza sempre em nós a nossa própria história, seja como indivíduos pertencentes a uma família, seja como promotores de vida, como participantes da obra criadora do Senhor. Fazer memória é construir a história, de maneira a criar identidade. Aqui, importa-nos pensar uma identidade de comunhão. Nesse sentido, pensar em biomas existenciais originantes é dar à categoria da memória um lugar importante. Somos porque somos memória. Essa memória nos liga uns aos outros e, também, ao mundo criado, pois é nele que fazemos nossa história humana e é partir dele que precisamos humanizar, cada vez mais, nossa identidade, conforme o mais profundo de nossa vocação.

As tradições judaica e cristã só se compreen­dem a partir da memória que carregam. A memória é verdadeiro tesouro que carece de cuidado e de transmissão. Antes de tudo, a memória é experiência. Isso nos coloca diante do fato de que fazer memória é mais que relembrar situações e ocasiões, mas revivê-las no aqui e no agora. É o caso de, sentindo um aroma, sermos imediatamente transportados a um contexto que nos marcou profundamente: um bolo assado na casa da avó, por exemplo. Não significa apenas lembrar que nossas avós assavam bolos, mas, no hoje de nossos dias, ao sentir tal aroma, reviver experiencialmente a ocasião de esperar e de comer o bolo.

Fazer memória é voltar e também viver uma transformação no hoje que nos lança para a frente. É o caso das tradições judaica e cristã, nas quais a memória é originária de uma experiência de sentido que faz com que as duas tradições se mantenham vivas ao longo do tempo: a fé que está intimamente ligada à comunhão com Deus. No caso do judaísmo, a memória é originária da fé no Deus libertador: celebrar a Páscoa é fazer memória da libertação da escravidão no Egito (cf. Ex 12,24-27) — “Quando vossos filhos vos perguntarem: ‘Que rito é este?’, respondereis: ‘É o sacrifício da Páscoa para o Senhor, que passou adiante das casas dos israelitas no Egito, quando feriu os egípcios, mas livrou as nossas casas’” (vv. 26-27). Para o cristianismo, fazer memória do mistério pascal de Cristo é celebrar o grande evento de nossa participação na vida filial de Jesus, por meio da comunhão que fazemos com sua vida: “Fazei isto em memória de mim” (Lc 22,19).

A memória mantém viva a experiência de fé dos judeus e dos cristãos, pois, ao rememorarem os eventos fundadores de sua fé, fazem a experiência originante dessa fé: vivem a salvação como hoje. Tal compreensão nos serve de metáfora, quando pensamos a memória como originante de nossa relação com o mundo criado, pois somos chamados a sempre fazer experiência de uma relação profunda de comunhão com esse mundo criado, por sermos parte dele. Fazer memória dessa experiên­cia, nesse caso, significa ter sempre diante de nossos olhos que somos terra.

O convite que fazemos, então, é o de alcançarmos a terceira margem da memória. A inspiração nos vem de um conto do já citado João Guimarães Rosa, chamado A terceira margem do rio (2001, p. 79-85). O conto narra a decisão de um pai de família de viver dentro de uma canoinha, isolado de tudo. A terceira margem do rio é a margem mais profunda, que não tem beira. É uma bela metáfora do encontro com o mais profundo de si mesmo, numa viagem sem volta. O que para muitos era loucura, para o homem era encontro com o sentido, aonde poucas pessoas ousam chegar.

Propomos, então, que precisamos alcançar a terceira margem da memória. Trata-se de assumir a memória como possibilidade de manter viva, em nós, a capacidade de comunhão com nossa própria origem: somos um fio na grande teia da criação. E, nessa teia, somos o fio com a responsabilidade do cuidado. Sem a memória dessa nossa vocação, dessa origem que nos une a todos, não somos capazes de viver a comunhão. A conversão ecológica que todos precisamos viver impele-nos à tomada de consciência de que participamos, desde dentro, da natureza. Alcançando a terceira margem da memória, somos convidados a refletir sobre a memória para a fé e sobre a memória para a caridade.

2.1. Memória para a fé

A narrativa da vida dos sertanejos feita por João Guimarães Rosa no Grande sertão: veredas, como vimos, mostra a importância de fazer-nos um com o ambiente que nos abriga, ainda que as dificuldades de prosperidade de vida seja muitas. Nessa perspectiva, a fé se faz importante e as memórias da relação das pessoas com esses lugares, verdadeiros biomas existenciais, inspiram-nos, ao nos revelar que originam verdadeiras experiências de comunhão com a terra. Entre tais memórias, percebemos o costume de lavar o cruzeiro, à espera da chuva, para fecundar o solo e possibilitar a continuidade da vida.

O costume de lavar o cruzeiro revela a profunda experiência de associar a cruz de Cristo ao nosso sofrimento. O Filho de Deus não nos é alheio e participa, conosco, do nosso processo de buscar a prosperidade da vida, na comunhão com todas as criaturas. Sabemos que, em nossas lidas cotidianas, completamos em nós os sofrimentos de Cristo (cf. Cl 1,24) e, aprendendo a lidar com tais sofrimentos, somos santificados. Tudo isso, no entanto, não significa resignação perante o sofrimento, mas atribuir sentido às experiências que fazemos, a partir da própria vida do Filho de Deus, que nos revela a plena realização da humanidade. É em Cristo, por sua Ressurreição — vitória sobre a cruz —, que toda a criação espera o tempo novo, de nova criação, e geme como que em dores de parto à espera de um novo nascimento (cf. Rm 8,22).

2.2. Memória para a caridade

Como experiência originante, o amor se revela como solidariedade. Fazer memória disso é fundamental para a realização de nossa humanidade, em comunhão com toda a criação. O ubuntu, filosofia própria de comunidades da África, ajuda-nos a perceber a dimensão da memória para a caridade: nas relações estabelecidas, pratica-se o ubuntu, que significa “eu sou porque nós somos”. Isso só é possível pela profunda consciência de que somos para a relação: com os outros, com o mundo e com Deus.

Ao findar a criação, o Criador contempla a obra de suas mãos e percebe quanto tudo o que havia feito era bom (cf. Gn 1,31). Essa bondade de toda a criação nos leva a pensar na vocação de todas as criaturas para a vida de comunhão: a prática concreta do ubuntu. A memória para a caridade nos coloca diante da experiência originante de sermos um. A encarnação do Filho de Deus, como condição de possibilidade do restabelecimento de nossa vida de comunhão com Deus, alerta-nos para a importância de vivermos o amor como imperativo. Dessa forma, o amor (ágape) deve ser sempre rememorado em nossa experiência com o mundo como um importante “bioma existencial”.

Conclusão

Na diversidade cultural de nosso país, mas também em todo o mundo, as muitas experiências significativas vividas pelas pessoas tornam-se verdadeiros biomas existenciais. A prosperidade da vida torna-se possível sobretudo quando há harmonia com toda a criação, no respeito pela dignidade da vida em todas as suas formas. Prosperar não significa sobreviver a qualquer custo, mas responsabilizar-se pela vida de todo o mundo criado. Essa responsabilidade, bem sabemos, configura como verdadeira vocação que nasce da experiência de sermos criados à imagem e semelhança do Criador.

Nesse horizonte, não podemos perder a dimensão da memória, como possibilidade de que sempre tenhamos diante de nós, de modo vivo, as experiências originantes que dão sentido à nossa existência no mundo. Nesse sentido, precisamos sempre buscar alcançar a terceira margem da memória, na profundidade das experiências que revelam que somos um com a casa que nos abriga e com os outros seres que nela habitam, constituindo verdadeiros biomas existenciais.

Tudo isso faz com que se mantenha vivo o impulso por romper com as injustiças presentes no mundo, transformando nossos comportamentos e nossas relações com as criaturas. Na ocasião da Campanha da Fraternidade deste ano, que possamos sempre rememorar nossa vocação, partindo da profunda experiência de sempre voltar às origens do que somos, a fim de que nos humanizemos, a partir dos biomas que nos dão identidade. Esse caminho vamos percorrendo até que Deus seja tudo em todos (cf. 1Cor 15,28) e, finalmente, vivamos a eterna festa da criação, quando o Criador será, definitivamente, louvado (cf. Sl 150).

Bibliografia

______. GUIMARÃES ROSA, J. Grande sertão: veredas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006.

______. A terceira margem do rio. In: ______. Primeiras estórias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001, p. 79-85.

Felipe Magalhães Francisco

Felipe Magalhães Francisco é bacharel e mestre em Teologia, pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia. Atualmente, coordena a Comissão Arquidiocesana de Publicações da Arquidiocese de Belo Horizonte. E-mail: felipe.mfrancisco.teologia@gmail.com