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Publicado em marco-abril de 2017

Os biomas brasileiros e seus povos originários

Por Roberto Malvezzi

Desafiada pela realidade e pelos apelos da Laudato Si’, do papa Francisco, a Igreja propõe que nos debrucemos sobre nosso país mais uma vez, que vejamos nossas riquezas e problemas, num espírito quaresmal de conversão a Deus e aos irmãos e irmãs e também numa verdadeira “conversão ecológica”, para cumprirmos o mandamento que o Criador nos deu desde o início: “cultivar e guardar a criação”.

 Introdução

A Quaresma faz parte do calendário litúrgico, então todos os anos nós a reencontramos e somos reencontrados por ela. É um tempo simbólico cujo nome vem de quarenta, ou seja, quarenta anos do povo de Israel no deserto, ou quarenta dias de Jesus no deserto. A Igreja nos oferece esse período como um tempo de nos encontrarmos profundamente com Deus, com nós mesmos e com os irmãos e irmãs.

Portanto, na Quaresma, o deserto deixa de ser apenas um lugar geográfico para ser um lugar teológico. Podemos estar em meio a uma multidão e nos sentirmos no deserto, completamente sós. E na solidão Deus vem ter conosco, e assim experimentamos que, ao final de tudo, só Deus garante a eternidade de tudo e de todos.

Há várias décadas a Igreja católica no Brasil inseriu no período quaresmal as Campanhas da Fraternidade. Cada ano traz um tema. Assim, enquanto olhamos para Deus e para nós mesmos, essas campanhas nos desafiam a olhar para nossos irmãos e irmãs mais vulneráveis. Contudo, as Campanhas da Fraternidade no Brasil muitas vezes nos levam a olhar também para a Criação que Deus nos deu, a qual devemos “cultivar e guardar”.

Este ano, a Campanha da Fraternidade tem como tema “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida” e como lema “Cultivar e guardar a criação” (Gn 2,15).

Esta Campanha da Fraternidade de 2017 é uma verdadeira contextua­lização da Laudato Si’ em território brasileiro. Afinal, o país é famoso no mundo inteiro por suas riquezas naturais, como nossas florestas, fauna, águas, solos e clima variado. Acostumada a essa abundância, desde a chegada dos europeus ao Brasil, nossa civilização parece não saber conviver com ela. Parece que precisamos destruir para produzir, que economia e ecologia são inimigas, e não dimensões de uma mesma realidade, afinal temos de cultivar (economia) e guardar (ecologia) a natureza para tiramos dela nosso sustento, mas sem eliminar as bases naturais que sustentam nosso povo e todas as formas de vida deste imenso território.

Ainda mais, este território sempre foi habitado por diversos povos, mesmo antes da chegada dos europeus. Depois vieram os brancos e os negros. O que hoje chamamos de “povo brasileiro” é fruto de um processo histórico muitas vezes violento, em que nações inteiras foram extintas, outras reduzidas, sempre com muito sofrimento, escravizações, exclusões, e que, porém, acabou originando um povo diferente exatamente por sua miscigenação.

Nossos problemas históricos de destruição da natureza e dos povos originários começaram no passado — como se fossem nosso pecado original — e atravessam a nossa história, estão no presente e se projetam para o futuro.

Por isso, desafiada pela realidade e pelos apelos da Laudato Si’, do papa Francisco, a Igreja propõe que nos debrucemos sobre o nosso país mais uma vez, que vejamos nossas riquezas e problemas, num espírito quaresmal de conversão a Deus e aos irmãos e irmãs e também numa verdadeira “conversão ecológica”, para cumprirmos o mandamento que o Criador nos deu desde o início: “cultivar e guardar a criação”.

  1. Imaginemos o Brasil de quinhentos anos atrás

Imaginem os portugueses, quinhentos anos atrás, chegando à costa brasileira, na região de Porto Seguro, sul da Bahia. Estavam diante de um mundo completamente diferente daquele que conheciam. Estavam curiosos e maravilhados com o que tinham diante dos olhos e nem sequer conseguiam esconder esse espanto.

Esse primeiro impacto ficou gravado na carta que Pero Vaz de Caminha enviou ao rei de Portugal, contando o que estavam vendo. Seu relato começa falando das pessoas que encontraram naquela região:

E o Capitão-mor mandou em terra no batel a Nicolau Coelho para ver aquele rio. E tanto que ele começou de ir para lá, acudiram pela praia homens, quando aos dois, quando aos três, de maneira que, ao chegar o batel à boca do rio, já ali havia dezoito ou vinte homens.

Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Nas mãos traziam arcos com suas setas. Vinham todos rijos sobre o batel; e Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os pousaram (CAMINHA, 1500).

As pessoas encontradas pelos portugueses eram diferentes no seu modo de ser, de vestir — não tinham roupas —, usavam arcos e flechas, mas foram absolutamente amistosas com os visitantes, sem nenhum sinal de agressividade. A um sinal, baixaram seus arcos.

 Além disso, eram pessoas de profunda inocência:

Ali andavam entre eles três ou quatro moças, bem moças e bem gentis, com cabelos muito pretos, compridos pelas espáduas, e suas vergonhas tão altas, tão cerradinhas e tão limpas das cabeleiras que, de as muito bem olharmos, não tínhamos nenhuma vergonha (CAMINHA, 1500).

Foi desse modo que as populações originárias receberam os portugueses, e foram essas as primeiras impressões que aquelas pessoas lhes causaram. Contudo, a partir daí, quando precisaram da mão de obra para derrubar e transportar o pau-brasil, e lançaram mão da escravização indígena – até os dias de hoje, atravessando a história destes quinhentos anos, essas populações têm sido submetidas ao fogo do inferno, a um longo martírio que parece não ter fim.

Então, um dos propósitos desta Campanha da Fraternidade de 2017 é nos perguntarmos: que foi feito dos povos originários que habitavam esta terra? Quantos ainda existem? Em que condições eles ainda sobrevivem? Afinal, a questão indígena do Brasil é algo do passado ou uma questão que começa no passado, atravessa nossa história, está presente nos dias de hoje e ainda se projeta para o futuro?

  1. A natureza

Porém, o espanto não ficou apenas na contemplação das pessoas. Também foi um choque a visão da natureza. Aquelas águas, árvores, pássaros produziam um encanto indisfarçável.

Andamos por aí vendo a ribeira, a qual é de muita água e muito boa. Ao longo dela há muitas palmas, não muito altas, em que há muito bons palmitos. Colhemos e comemos deles muitos… Esta terra, Senhor, me parece que da ponta que mais contra o sul vimos até a outra ponta que contra o norte vem, de que nós deste porto houvemos vista, será tamanha que haverá nela bem vinte ou vinte e cinco léguas por costa. Tem, ao longo do mar, nalgumas partes, grandes barreiras, delas vermelhas, delas brancas; e a terra por cima toda chã e muito cheia de grandes arvoredos. De ponta a ponta, é toda praia parma, muito chã e muito formosa.

Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande, porque, a estender olhos, não podíamos ver senão terra com arvoredos, que nos parecia muito longa (CAMINHA, 1500).

O impacto maior, entretanto, será sempre a referência às águas:

E então o Capitão passou o rio com todos nós outros, e fomos pela praia de longo, indo os batéis, assim, rente da terra. Fomos até uma lagoa grande de água doce, que está junto com a praia, porque toda aquela ribeira do mar é apaulada por cima e sai a água por muitos lugares… Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem (CAMINHA, 1500).

Pois bem, esta Campanha da Fraternidade quer perguntar a cada brasileiro, a cada autoridade brasileira, particularmente a cada cristão católico o seguinte: o que resta daqueles povos originários encontrados pelos portugueses naquelas praias e, posteriormente, por todo o território brasileiro? O que resta daquelas águas? O que resta daquela biodiversidade — árvores, animais terrestres e aquáticos — vista naquele primeiro contato?

Ainda mais, estamos no século XXI. Hoje a humanidade pode se colocar criticamente diante do modelo de civilização, particularmente da chamada “civilização ocidental”, e se perguntar se realmente cuida e se dedica ao cultivo dos bens que Deus nos deu, ou se os destrói por um processo econômico predador.

Porém, esta campanha nos pede que olhemos a vida que está em nosso território de uma forma orgânica, interligada, ou seja, com nossos olhos iluminados pelos biomas brasileiros. Isso não é fácil para quem não está acostumado a estudá-los, mas quando olharmos para nossos biomas, veremos que estamos mais próximos deles do que imaginamos.

  1. Os biomas brasileiros

Nós temos seis biomas: Mata Atlântica, caa­tinga, cerrado, Amazônia, Pantanal e pampa. Para muitos cientistas e movimentos sociais, a costa brasileira deveria ser considerada como um sétimo bioma. Porém, no contexto desta Campanha da Fraternidade, ela é parte da Mata Atlântica. Mas o que quer dizer bioma?

A expressão bioma vem de “bio”, que em grego quer dizer “vida”, e “oma”, sufixo também grego que quer dizer “massa, grupo ou estrutura de vida” (BIOMA, 2016). Dessa mesma matriz vem “biologia”, que quer dizer “estudo da vida”.

Então, quando se juntam muitas formas de vida parecidas num mesmo e vasto espaço, tanto vegetal quanto animal, uma dependente da outra, de forma contínua, com uma história semelhante, um clima semelhante, então temos um bioma (MALVEZZI, 2007).

Cientificamente, bioma é definido como

um conjunto de vida (animal e vegetal) constituído pelo agrupamento de tipos de vegetação contíguos e identificáveis em escala regional, com condições geoclimáticas similares e história compartilhada de mudanças, o que resulta em uma diversidade biológica própria.

Então, quem já andou pelo Brasil vê claramente que a natureza do pampa é diferente da caatinga, assim como esta é diferente da Amazônia, como esta é diferente do cerrado ou do Pantanal. A vegetação, os animais, o relevo, o clima formam conjuntos que os tornam diferentes.

Mais ainda, historicamente, esses biomas eram e são habitados por povos que vêm desde a chegada dos europeus e dos negros, mas que cruzaram com eles, formando nossa imensa população de mais de 200 milhões de habitantes dos dias de hoje.

Ainda estão entre nós nações indígenas, comunidades quilombolas, comunidades tradicionais, além de nossa imensa população urbana que ocupa, vive e impacta esses biomas. Passamos a ter problemas de clima, de água, de poluição nas cidades, de enchentes, secas severas, e nos perguntamos onde vamos parar com tantos problemas.

Então, sempre nesse espírito quaresmal de conversão ecológica, vamos ver rapidamente cada um de nossos biomas, suas características principais, os problemas que afetam cada um deles e os desafios que se colocam para nós nos dias de hoje.

3.1. A Mata Atlântica

O que restou daquele mundo encontrado pelos portugueses quando chegaram à costa brasileira? Hoje restam aproximadamente 12% de sua cobertura vegetal original (SOSMA, 2016).

A Mata Atlântica abrangia uma área equivalente a 1.315.460 km2 e estendia-se originalmente ao longo do que hoje são dezessete estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Alagoas, Sergipe, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí.

Uma área ainda rica de biodiversidade no que lhe resta, mas onde residem 120 milhões de brasileiros, com imensas cidades que modificam o espaço ocupado, derrubando a floresta, impactando os solos, o ciclo das águas e o conjunto dessa biodiversidade.

Originalmente ocupada pelos Tupi mais ao leste e pelos Guarani mais ao sul, esse espaço hoje é tomado pela maior concentração urbana do país. As cidades trazem imensos problemas de saneamento básico, no abastecimento de água, na coleta e tratamento de esgotos, no manejo de resíduos sólidos e drenagem da água de chuva. Moradores de áreas de risco sofrem o impacto dessa degradação a cada ciclo das chuvas. Das populações originais restam grupos dentro dessas cidades, como os Guarani de Parelheiros, do Pico do Jaraguá, ou as nações indígenas do sul da Bahia.

Repensar os destinos do que resta da Mata Atlântica e sua recuperação — ela é regenerável — impõe um desafio civilizacional de tamanha gravidade que o povo brasileiro e seus dirigentes ainda não compreenderam.

3.2. Amazônia

A Amazônia é o maior bioma do Brasil. Geograficamente, é formada pelos estados da região Norte: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Roraima, Rondônia e Tocantins. Mas o bioma avança para os estados do Mato Grosso e Maranhão. Esse território tem uma área de 5.217.423 km², 61% do território brasileiro, mas avança também sobre outros países da região: Colômbia, Peru, Venezuela, Equador, Bolívia, Suriname, Guiana e Guiana Francesa (CNBB, 2014).

Por tratar-se de região considerada megadiversa, decisiva no ciclo do carbono e das águas, ambicionada no mundo inteiro por suas riquezas naturais, com imensa diversidade social advinda dos povos originários e imigrantes, é impossível avaliar a importância desse bioma para os brasileiros, para a humanidade e para o planeta que habitamos. Seu processo contínuo de destruição coloca em risco nosso ciclo das águas e o aquecimento global. Vivem na Amazônia 24 milhões de pessoas, 80% das quais em áreas urbanas com problemas de saneamento básico ainda mais graves que no restante do país.

3.3. Cerrado

Originalmente, esse bioma ocupava 192,8 milhões de hectares, abrangendo 13 estados da federação, o que corresponde a 22,65% do território brasileiro, onde vivem 22 milhões de pessoas. Essa extensão corresponde ao chamado “cerrado contínuo” presente nos estados em proporções diferentes: Distrito Federal (100%); Goiás (96,6%); Tocantins (75,6%); Mato Grosso do Sul (59,3%); Mato Grosso (48,3%); Minas Gerais (46,7%); Maranhão (42,1%); Piauí (38,6%); São Paulo (30,6%); Bahia (21,4%); Rondônia (6,7%); Paraná (2,7%); Pará (0,1%).

Considerado o bioma mais antigo da face da Terra, com cerca de 65 milhões de anos, não tem poder de regeneração: uma vez extinto, não tem mais retorno. Entretanto, é chamado de “caixa d’água do Brasil”, “pai das águas”, “cumeeira das águas”, e assim por diante. Dele dependem todas as principais bacias hidrográficas do Brasil e do Prata.

Com uma imensa biodiversidade, duramente atacado pelo agronegócio com suas imensas monoculturas, cada vez mais o cerrado é um bioma em extinção. Sua compactação impacta diretamente a disponibilidade de águas de bacias importantes, como é o caso do rio São Francisco. Uma vez extinto, grande parte dos rios dele dependentes morrem com ele.

Originalmente habitado pelos Tapuia (há 50 mil anos, segundo Kaká Werá), ainda tem remanescentes de muitas nações indígenas, comunidades quilombolas e comunidades tradicionais como os “geraizeiros”.

Porém, grande parte de sua população está em áreas urbanas, como é o caso de Brasília, Goiânia e outras grandes cidades da região.

3.4. Caatinga

A caatinga está na região semiárida brasileira. O semiárido abrange uma área de 969.589,4 km2, predominantemente os territórios de oito estados do Nordeste mais o norte de Minas Gerais, circunscrevendo 1.135 municípios, onde vivem cerca de 27 milhões de pessoas. Estas representam 46% da população do Nordeste e 13,5% da população brasileira. Por sua vez, a caatinga cobre mais de 90% desse território, com uma extensão de 844.453 km2 (MMA, 2016).

Esse é o bioma mais estigmatizado e sobre o qual reside um preconceito do tamanho do desconhecimento sobre ele. No imaginário nacional, a caatinga é o lugar seco, sem vida, de mortes, de imigrantes, de miséria e mortalidade humana, particularmente a infantil, acima de qualquer parâmetro.

Entretanto, é um bioma de extrema inteligência, adaptado ao clima semiárido, capaz de hibernar nas secas e como que ressuscitar no período chuvoso. Nas últimas décadas, a região sofreu profundas mudanças com o novo paradigma da “convivência com o semiárido” construído pela sociedade civil, com apoio do governo federal e alguns governos estaduais. A captação da água de chuva para beber e produzir, a educação contextualizada, a agroecologia apropriada, a criação de pequenos animais, a apicultura, enfim, um leque poderoso e criativo de tecnologias sociais fez a região mudar para melhor. Hoje, o padrão de mortalidade infantil está em níveis aceitos pela ONU, e já não temos tragédias humanitárias mesmo em períodos de diminuição das chuvas, como ocorria antes.

Encontram-se na região da caatinga nações indígenas, comunidades quilombolas, comunidades tradicionais como os “fundos de pasto” na Bahia. Ainda é a região mais ruralizada do Brasil, com cerca de 40% de sua população vivendo no meio rural.

3.5. Pantanal

O Pantanal está situado dentro da bacia do Alto Paraguai, equivalente às áreas dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná somadas. Essa planície, muitas vezes vista somente como um bioma brasileiro, cobre uma área de quase 210 mil km2, dos quais 70% estão no Brasil (nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul), 20% na Bolívia e os outros 10% no Paraguai. Grande parte do Pantanal e da bacia hidrografia do Prata, que o inclui, está inserida na lista da Unesco como patrimônio natural da humanidade e também figura na Constituição brasileira como patrimônio nacional (PANTANAL, 2016). Sua população é de aproximadamente 1,1 milhão de habitantes.

Apropriado às pastagens naturais, com suas extensas áreas úmidas, tem na pecuária uma de suas principais atividades econômicas. O Pantanal é o bioma brasileiro cuja biodiversidade está mais exposta, mais visível aos olhos humanos, particularmente a de animais. Por isso, cresceu muito nas últimas décadas a sua vocação turística nacional e internacional.

Relativamente bem preservado, mas ameaçado por monoculturas e mineração, é uma das riquezas brasileiras a serem preservadas para o bem das atuais e futuras gerações, não apenas pantaneiras.

Muitas comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas estão no território pantaneiro, mesmo que também ali grandes concentrações urbanas já sejam realidade.

3.6. Pampa

O pampa, também conhecido por Campos Sulinos, é um bioma que, em território brasileiro, se restringe ao estado do Rio Grande do Sul, compreendendo 63% do território gaúcho e ocupando 176.496 km² (2,07%) do território nacional, além de se estender a paí­ses vizinhos, Argentina e Uruguai (MMA, 2016). Sua população é de aproximadamente 6,2 milhões de habitantes.

Embora sua paisagem seja variada, sua face mais famosa está nas suas planícies, extremamente apropriadas para a criação de gado, à qual está invariavelmente vinculada a figura do gaúcho.

Originalmente habitado por indígenas — presença especial dos Guarani —, ainda hoje tem remanescentes dessa nação indígena, além de ser espaço de assentamentos de reforma agrária, quilombolas e comunidades tradicionais.

Ameaçado por monoculturas estranhas ao ambiente, como pínus e eucalipto, segue mantendo boa parte de sua biodiversidade original.

Boa parte de sua população é urbana.

Conclusão

Esta Campanha da Fraternidade está indissoluvelmente ligada ao apelo do papa Francisco para que toda a humanidade, particularmente nós, cristãos, tenhamos uma verdadeira “conversão ecológica”.

Podemos nos perguntar: o que podemos e devemos fazer?

Ela começa nas atitudes pessoais, alcança a família, o bairro ou comunidade, mas precisa se estender para toda a região, o Brasil e o mundo. É um desafio do tamanho de nossa época. Particularmente, o conhecimento melhor dos biomas, de suas interfaces e conexões, é fundamental para que possamos preservar o ambiente bom para se viver, com clima suportável ao ser humano e a todas as formas de vida, com a preservação do ciclo das águas e a preservação de nossa biodiversidade. Na Laudato Si’, o papa Francisco nos diz que “cada criatura tem sua mensagem”. Que dirá da mensagem de todas as criaturas, uma interdependente da outra, inclusive a nossa, com os vegetais e outros animais?

É no espírito quaresmal que a Igreja católica nos coloca esse desafio. A conversão que devemos a Deus, devemos também aos irmãos e à sua Criação. Não é perda nem diminuição do espírito quaresmal, ao contrário, é um apelo à nossa plena conversão.

Bibliografia

CAMINHA, Pero Vaz de. Carta ao rei de Portugal. Disponível em:
<http://www.memorialdodescobrimento.com.br/lingua_portuguesa/carta-de-pero-vaz-de-caminha-ao-rei-de-portugal/>. Acesso em: 7/jun./2016.

BIOMA. Etimologia de bioma. Disponível em: <http://etimologias.dechile.net/?bioma>.
Acesso em: 20/jun./2016.

CNBB. Desafio missionário – Documentos da Igreja na Amazônia. Brasília: Edições CNBB, 2014.

MALVEZZI, Roberto. Semiárido: uma visão holística. Brasília: CREA/CONFEA, 2007.

MAZZETTO SILVA, C. E. O cerrado em disputa: apropriação global e resistências locais. Brasília:
Confea (Coleção Pensar o Brasil – Construir o Futuro da Nação), 2009.

PANTANAL, Portal. O guia do santuário ecológico. Disponível em: <http://www.portalpantanal.com.br/localizacao.html>. Acesso em: 18/maio/2016.

SOSMA. A Mata Atlântica. Disponível em: <https://www.sosma.org.br/nossa-causa/a-mata-atlantica/>. Acesso em: 16/mar./2016.

MMA. Pampa. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/biomas/pampa>. Acesso em: 6/abr./2016.

 

Roberto Malvezzi

*Roberto Malvezzi é formado em Filosofia, Teologia e Estudos Sociais. Escritor e compositor, membro do Comitê Brasileiro da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), e membro da equipe da Campanha da Fraternidade de 2017. E-mail: robertomalvezzi@hotmail.com