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Publicado em Julho-Agosto de 1988 (pp. 18-22)

Um horizonte de esperança para o povo (salmo 146)

Por Valmor da Silva

1Aleluia!

Louva, ó minha alma, a Javé!

2Vou louvar a Javé enquanto eu viver,

vou tocar ao meu Deus, enquanto existir!

3Não coloquem a segurança nos príncipes,

nos filhos de homem, nos quais não há salvação!

4Exalam o espírito e voltam à terra

e no mesmo dia perecem seus planos.

5Feliz quem se apoia no Deus de Jacó,

quem põe a esperança em Javé seu Deus:

6fez o céu e a terra,

o mar e tudo o que neles existe.

Que mantém a verdade para sempre:

7fazendo justiça aos oprimidos,

dando pão aos famintos;

Javé liberta os prisioneiros,

8Javé abre os olhos dos cegos,

Javé endireita os curvados,

9Javé protege os estrangeiros,

o órfão e a viúva sustenta;

8cJavé ama os justos

9ceo caminho dos ímpios transtorna.

10Reina Javé para sempre,

teu Deus, ó Sião, de geração em geração!

 

“A esperança é a última que morre”. Quer dizer que “sempre resta uma esperança”, e que de fato a esperança nunca morre. Esta certeza está no fundo do poço do nosso povo como sempre esteve presente na esteira da história de Israel.

Cantada nos Salmos, contada na história, celebrada na vida, a esperança foi uma certeza em todo o Antigo Testamento. Como uma mola propulsora, ela impulsiona a longa caminhada que culmina no projeto de Jesus.

Rolaram anos, caíram séculos, permanece o projeto. Uma nova sociedade deve surgir. E tem que surgir. Mas com outro fundamento, com outra base. Uma sociedade fundada na verdade e na justiça. Este é o projeto assinado por Javé e chancelado pelo próprio Deus. Javé funda e mantém a justiça. Ele ama os justos. Ele transtorna o caminho dos injusticeiros. Com palavras eloquentes e ações poderosas ele vai provando seu plano na história. Javé propõe e realiza, diz e faz, abre um novo horizonte de esperança.

Nossa história está cheia de projetos de Javé. Que seria de nosso povo se não caminhasse na esperança? Neste antigo testamento em que vivemos, sempre é necessário recordá-lo, pois felizmente há um projeto alternativo. Toda a história é uma ilustração deste projeto e a Bíblia o propõe de maneira completa. O Sl 146 o canta, e é por aí que nós vamos seguir.

 

1. A esperança se faz canção (vv. 1-2.10)

Um viva explode no início do salmo como grito de vitória. Sua forma poética e seu jeito de expor o assunto o classificam como um hino de louvor, um poema-canção.

Simples e transparente como são os pobres, o salmo expressa a alegria e a gratidão de quem entendeu claramente o plano de Javé, e de forma clara quer expô-lo aos demais. É que o canto transmite, comunica, cria laços. O povo canta, e cantando vence.

O canto cria um envolvimento em nosso salmo. É assim que ele se inicia e é assim que termina. O começo é como um convite que o salmista faz a si mesmo, um autoestímulo para propagar a certeza de seu Deus. No final, já seguro, ele volta a proclamar a vitória do projeto fundado sobre Javé, um novo tipo de reinado. E este final nos envolve como participantes, pois “de geração em geração” chega até hoje…

Desde as canções de viola, nas rodas de amigos, à euforia carnavalesca, nas avenidas, o canto acompanha o nosso povo e lhe dá uma força que ninguém tira. A festa, a alegria, o canto, são formas de manter a grandeza e o poder que não podem ser quebrados. No samba ou na toada há um sangue que corre e que irmana essa gente vibrante.

Por isso o canto é resistência. Os Salmos de Israel vararam séculos. Neles se cristalizou uma experiência única, mas ao mesmo tempo universal. Salmodiar é sempre resistir.

As comemorações populares manifestam isto. As tradições folclóricas mantêm um lastro de sentimentos que não se apaga. As celebrações todas vão temperando esta viva fé que no dia a dia se consolida. E o entrelaçar-se da fé com a vida que cria os laços da resistência e se expressa no louvor.

Nosso salmo 146 louva, proclama que Javé é rei, é um Deus pessoal, que está do lado do povo.

 

2. O projeto dos grandes é desespero (vv. 3-4)

Num tom irônico e debochado, nos vv. 3 e 4 o autor alerta os companheiros para não confiarem nos príncipes, nos nobres, nos grandes. Eles não possuem projeto. O salmista, com efeito, nada diz a respeito. Teriam eles talvez um antiprojeto, um não projeto, mas não vale a pena falar. Apenas dois versículos, e com desprezo.

“Não coloquem a esperança nos príncipes” (v. 3), pois o projeto deles é falido, baseia-se na mentira, no engano, no ludíbrio.

Sabe o salmista, e muito bem, que os tribunais dos grandes encobrem a corrupção (cf. Sl 35,10-11). Sabe que as suas leis protegem o roubo disfarçado (cf. Sl 73,12). Sabe que os seus golpes politiqueiros camuflam o massacre, o assassínio (cf. Sl 94,5-6). Mas nada disto ele fala. Não vale a pena.

Por que gastar tempo com planos falidos? Por que falar de projeto de morte? Só de longe o autor insinua a provável alusão a Antíoco Epífanes, o prepotente fracassado de 1Mc 2,62-63, vítima do esterco e dos vermes, retornando ao pó com seu projeto.

Estes filhos de homem, ou filhos de terra, duram tanto quanto o seu sopro. Termina o hálito, voltam ao seu lugar de origem, à terra. E lá se vão seus planos, pacotes, sistemas.

 

3. O projeto de Javé é esperança (vv. 5-9)

O salmo canta os valores de uma nova sociedade, projeta uma relação social diferente, com outras bases, com fundamentos sólidos e igualitários, e por isso mesmo dando oportunidade aos marginalizados.

Trata-se de um plano a serviço da vida, e não da morte, como era o plano dos grandes. Isto é um projeto que tem solidez, porque derruba todas as máscaras e elimina a exploração.

Por isso mesmo o salmo se estende mais sobre este assunto. Seu desenvolvimento desce até vários detalhes, elenca os segmentos populares e projeta esta nova organização sonhada sob o reinado de Javé.

 

3.1. Tem consistência histórica (vv. 5-6)

Enquanto o plano dos grandes era chocho e durava tanto quanto duram os seus autores, o projeto de Javé resiste a todos os tempos e a todas as épocas.

Para dizer isto o salmista começa invocando o Deus de Jacó (v. 5a) como apoio seguro. O Deus de Jacó indica o Deus que atuou na história concreta dos patriarcas. Com essa referência clara a Jacó tornam-se presentes os antepassados que souberam viver um jeito diferente, baseados na igualdade tribal. O Deus de Jacó lembra aquela fase em que Israel vivia a fé num Deus único, que não admitia rei. Consequentemente não havia marginalizados, pois todos participavam de tudo, debaixo da mesma tenda, desde o patriarca até os mais jovens dos filhos.

Se o Deus de Jacó, por sua vez, garantiu a vida patriarcal, já ao lado dele, e em paralelo, vem citado Javé (v. 5b), nome que por sinal domina todo o salmo, num total de nove vezes. Javé evoca outra fase da história do povo, sempre ligada ao êxodo. É o Deus de libertação. Ele patrocinou a nova sociedade israelita, marcou o sistema da época dos Juízes e garantiu o novo estado que mais tarde seria Israel. Javé é aquele que vive, liberta; é dinâmico, não é parado; é esperança, é futuro.

Mas nosso salmo vai mais além. O Deus que acompanha o povo em sua história é também o Deus que cria, dando início a todo este projeto. Melhor dizendo, o Deus da história é o mesmo Deus da criação. Fazendo o céu, a terra, o mar (v. 6), exprime-se a totalidade da criação e se diz que Javé dá início à marcha histórica, além de garantir a sua continuidade.

 

3.2. Lança nova base social (v. 6c)

Aqui está a base, a garantia e segurança de tudo. Javé “mantém a verdade para sempre” (v. 6c). É por isso que se pode confiar nele. Ele dá segurança porque se estabelece como guarda da verdade.

Um sistema baseado na verdade e na sua busca constante, não pode falhar. Vemos aqui a oposição a um sistema construído sobre a mentira, o que se pode esperar, quando não se tem guardiães da verdade.

A própria legislação favorece o suborno. Quem devia proteger o povo é quem o intimida com bombas e cacetetes. Quem devia promover o progresso é quem explora com juros estranguladores. Quem devia dar a cultura, promove a ignorância. Quem devia propagar valores, propagandeia os interesses do lucro. Quem devia defender as pessoas, defende só o capital. E assim interminavelmente.

Na época do salmista os grandes não diferiam muito, como se nota. Então é justo proclamar o reinado de uma nova ordem social, onde a base esteja na verdade, não na mentira. Verdade leva à justiça e justiça puxa verdade.

Verdade é fundamentalmente firmeza, segurança, solidez, durabilidade. Javé a mantém para sempre. Estabelecido este ponto de partida, toda a ordem social será diferente.

 

3.3. É um projeto para o povo (vv. 7-9)

Por que falham os projetos dos grandes? Porque são projetos que só visam os interesses da minoria deles. Morre um grande, morre o projeto.

O projeto do povo, ao contrário, é consistente, porque visa os pobres, os marginalizados, os lascados. É um plano de promoção dos que a sociedade rejeita. Visa sempre o lado mais fraco, por isso cria equilíbrio. Afinal, sua base é a verdade e a justiça.

O mesmo Deus que faz o céu, a terra, o mar (v. 6a), faz a justiça aos oprimidos (v. 7a). A justiça social está em paralelismo com a solidez cósmica.

Paralela também à verdade (v. 6c) está a justiça (v. 7a), como dois lados da mesma medalha, inseparáveis, porque um complementa o outro.

Explicando o que é fazer justiça (v. 7a) segue-se uma série de verbos, em detalhes. Fazer justiça é dar pão, libertar, abrir os olhos, endireitar, proteger, sustentar. Trata-se de algo muito concreto, palpável, real.

 

a) Fazendo justiça aos oprimidos (v. 7a): Realizar atos de justiça é exatamente fazer justiça aos oprimidos (cf. Sl 103,6). Quer dizer que uma lei justa é a que vai proteger o mais fraco, não o opressor. Um julgamento justo busca o direito do oprimido, não o do grande.

Ouvir o desejo dos pobres, proteger o oprimido (cf. Sl 10,18), esta é uma justiça que se baseia na verdade (cf. Sl 96,13).

Quando um povo luta para buscar sua identidade, libertar-se do colonizador, criar um novo sis­tema interno, está nesse plano de justiça traçado por Javé. Não foi assim a história de Israel? Quando um grupo luta por seus direitos, protesta contra a discriminação, encontra o seu lugar na sociedade, está no caminho da justiça. Não foi assim com as tribos do norte, os Macabeus, os helenistas? Quando uma pessoa se revolta contra os tribunais injustos, reage às leis desumanas, ou grita contra a corrupção, está no projeto de Javé. Não foi assim Elias, Amós, Isaías, Jesus, para citar apenas alguns?!

 

b) Dando pão aos famintos (v. 7b): A justiça de Javé se concretiza no pão aos famintos (v. 7b). É a primeira condição de justiça. Nenhum plano tem sentido se deixar o povo na fome. O projeto de Javé é vida, e pão é a primeira condição de vida.

Longe os projetos que tiram o pão da boca dos pobres para exportá-lo aos cães e vacas dos ricos. Longe os planos da expoliação que visam o bem-estar de uma minoria. Longe os planos de produção que expulsam os pobres de suas terras. Longe o lucro, o capital, os juros…

O plano de Javé é dar pão aos famintos. É um plano bem real e concreto, que já começa com o maná do deserto (cf. Ex 16,4ss), é cantado por Maria (cf. Lc 1,53) e é evidentemente assumido por Jesus (cf. Jo 6,1ss).

Hoje há supersafras de grãos nas fazendas, mas há falta de pão nas mesas. Há excesso de trigo nos celeiros, mas há fome por tudo; há pão se estragando para poucos, mas há muitos sem pão se esvaindo.

c) Javé liberta os prisioneiros (v. 7c): A opção de Javé pelos oprimidos, famintos, prisioneiros, demonstra claramente a sua justiça. Ele não quer escravos. No êxodo ficou demonstrado como ele rompe as correntes e liberta o povo.

De maneira privilegiada esse poder foi confirmado na volta do exílio babilônico. Sem terra, sem templo e sem rei, o pequeno resto consegue reorganizar-se para encontrar de novo sua identidade e reconstruir os seus valores (cf. Is 49,9; 61,1; Jr 50,33-34).

O servo de Javé, encarnando o sofrimento do povo, traz o programa de “soltar do cárcere os presos e da prisão os que habitavam nas trevas” (Is 42,7; cf. Sl 68,7; 107,14-16). O próprio Jesus prioriza a “remissão aos presos” e o “ano de graça do Senhor” (Lc 4,18).

Nosso povo vai organizando a sua libertação. Nossos negros, ao som do canto e da dança, já sonham a verdadeira abolição da escravatura. Nossos índios, na plumagem e nos maracás, ensaiam o ritmo livre da natureza. Nossas mulheres, na graciosidade de seus valores, proclamam a igualdade de seus direitos.

Povos escravos, colonizados, vão levantando suas cabeças. Países inteiros, prisioneiros de outros, tentam livrar-se dessas cadeias. Acabe-se a dominação econômica, a imposição de culturas, a interferência de um país no outro, a injusta manipulação ideológica.

 

d) Javé abre os olhos dos cegos (v. 8a): O salmo elenca a seguir os cegos, curvados, estrangeiros, órfãos e viúva, ou seja, as classes discriminadas por sua própria situação, às quais o projeto de Javé vai se mostrar mais favorável.

Cego é quem não vê, e principalmente quem não quer ver. O Antigo Testamento usa muito a imagem da cegueira para falar da falta de senso crítico. Israel, quando não conhece a justiça, o direito, é ce­go, “tateando às apalpadelas” (Is 59,10; cf. 28,18). O servo de Javé, em seu programa libertador, vem “abrir os olhos dos cegos” (Is 42,7) em paralelismo com o “serviço da justiça” (v. 6). O mesmo programa, de novo, Jesus assume na sua opção fundamental (cf. Lc 4,18).

O povo do Antigo Testamento precisa abrir os olhos, isto é, discernir, saber o que é justo e o que não é justo. Seus reis e governantes tentam manter-lhes a cegueira, mas os profetas e sábios alertam continuamente para a importância de abrir os olhos.

Urge abrir os olhos dos cegos num mundo onde continuamente se tenta fechar os olhos do povo. Há canais de imprensa simples e pobres, mas que com sua infiltração na base vão minando as grandes redes de alienação. Movimentos de conscientização, em suas diversas formas, preparam as pessoas para que não haja mais cegos. Movimentos de contestação, de protesto e de guerrilha, como alerta, denunciam os tiranos que querem cegar as massas populares.

 

e) Javé endireita os curvados (v. 8b): Javé abre um horizonte de esperança para todos os que sofrem sob o peso da opressão e que não podem manter a dignidade de sua postura humana. Javé recupera a igualdade, colocando frente a frente as pessoas, elevando a face daqueles cuja honra foi rebaixada pelo despotismo de outros.

Muitas vezes o salmista canta que os ímpios tentam curvá-lo, mas Javé lhe dá firmeza (cf. Sl 57,7). Estes encurvados que o projeto de Javé recupera são por vezes os pobres (cf. Sl 146,6), os fracos, os indigentes (cf. Sl 113,7). E o Sl 145,14 diz, como em refrão, “Javé endireita todos os curvados”.

Jesus adere também a este programa quando diz: “Vinde a mim todos os que estais cansados sob o peso de vosso fardo e eu vos darei descanso” (Mt 11,28).

Não se pode manter um povo curvado, pessoas curvadas como se não fossem gente, embora sendo gente de valor. Valorosamente esse povo sacode o peso dos séculos, e por séculos afora vai derrubando a opressão. Discriminados se erguem os negros, os boias-frias se unem, e os sem-terra batalham; com as domésticas juntas, índios massacrados dando-se as mãos, e os jovens abrindo caminhos. Vislumbra-se um novo amanhã.

 

f) Javé protege os estrangeiros (v. 9a): Israel passou por essa experiência. Os patriarcas foram estrangeiros em Canaã; depois o povo permaneceu estrangeiro e escravo no Egito, e principalmente a marca do exílio babilônico fez Israel amargar fundo o desgosto de ser estrangeiro.

Por tudo isso a lei prevê a proteção do estrangeiro no Antigo Testamento (cf. Dt 10,18; 14,29; 24,14-18), e Ex 22,20 é taxativo em dizer que não se aflija o estrangeiro, lembrando que também o povo agora livre, foi estrangeiro e escravo. O Sl 107,4 apresenta os repatriados da Babilônia recuperando a sua identidade, e no Sl 94,6 reclama-se do ímpio que mata o estrangeiro; Ml 3,5 anuncia o julgamento de Javé, impiedoso sobre os “que violam o direito do estrangeiro”.

É visto, portanto, como o projeto de Javé recupera os estrangeiros em seus valores objetivos, e lhes dá um lugar na sociedade. Jesus teve grande carinho para com os estrangeiros marginalizados, como demonstra seu trato com a mulher cananeia (cf. Mt 15,21-28), com o leproso samaritano (cf. Lc 17,11-19) ou na proposta a todos os que “virão do oriente e do ocidente, do norte e do sul, e tomarão lugar à mesa no Reino de Deus” (Lc 13,29).

Já vai tarde o momento, hoje em dia, em que deve terminar a discriminação por países, por raças, por nações. Além do mais há tantos estrangeiros na própria terra, buscando um lugar, numa migração interminável.

 

g) O órfão e a viúva sustentam (v. 9b): órfão e viúva formam quase sempre uma só classe na Bíblia. Por sua privação, um sem pais, a outra sem marido, ambos se encontram desprotegidos nessa sociedade machista e elitista.

Por isso é de se esperar que o projeto de Javé lhes dedique especial atenção. A lei os protege (cf. Dt 10,18; 14,29; Ex 22,21) e os profetas constantemente denunciam a marginalização dos mesmos (cf. Ml 3,5). No Sl 68,6 Javé é proclamado “Pai dos órfãos, justiceiro das viúvas”. Javé substitui o pai que o órfão não tem e protege o direito que roubam à viúva (cf. Pr 15,25).

Jesus dedica especial atenção às crianças e às viúvas. Criança representa o próprio Jesus (cf. Mc 9,37) e a elas pertence o Reino dos céus (cf. Mc 10,14). A viúva é elogiada por sua oferta (cf. Mc 12,44) e em Naim uma viúva tem seu filho único ressuscitado por Jesus (cf. Lc 7,11-17).

Hoje os menores lotam as calçadas das ruas, moram debaixo das pontes, comem na boca do lixo.

São tidos como abandonados. E são a esperança do futuro. Hoje as viúvas cuidam sozinhas dos filhos, ganham salários inferiores, reclamam direitos que lhes são negados. E são as que embalam novos sonhos para a sociedade.

Como se vê, o projeto de Javé tem muito que fazer por aí afora. Mas ele está firme e não falha, temos certeza.

 

3.4. O projeto distingue claro justos e injusticeiros (vv. 8c.9c)

Dois versículos resumem o salmo inteiro. Todas as classes de marginalizados são reunidas sob a palavra justos. E a estes Javé ama. A outra classe, dos grandes, poderosos, opressores, é chamada ímpios. O caminho deles Javé transtorna.

Portanto, o projeto de Javé não é neutro, não visa agradar a todos, mas toma posição, demonstrando uma postura clara.

Dentro desse projeto cada qual se coloca onde quer. Ou a favor ou contra. O plano aí está, como um horizonte de esperança. Há os que tentam derrubá-lo, com seus projetos de morte. Há os que o defendem com todas as forças. De que lado você está?

Valmor da Silva