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Publicado em Julho-Agosto de 1998 (pp. 2-6)

Catequese: arte e vida no Espírito

Por Ir. Mary Donzellini, mjc; Maria Paula Rodrigues

1. Pastoral Catequética sob o enfoque do Espírito

O ano 1998, o segundo da fase preparatória ao Novo Milênio, está sendo dedicado particularmente ao Espírito Santo; por isso, propomos aos agentes de pastoral, aos catequistas, uma especial atenção ao Senhor que da a vida… Vem, Espírito da Vida!

A Pastoral Catequética é convocada a reconhecer a presença e a ação do Espírito na evangelização, deixando-se animar e guiar interiormente por ele. O Espírito Santo, principal agente da evangelização, fez a Igreja nascer e crescer. O Espírito Santo atualiza e aprofunda o Mistério de Cristo em nós. É ele quem vivifica a Palavra de Deus como alma da evangelização. Na escuta e no acolhimento desta Palavra, a Igreja cresce na unidade do Espírito Santo. “Quando vier o Espírito da Verdade, Ele vos guiará para a verdade total (Jo 16,12-14).

Faz parte da missão dos catequistas: o anúncio da Palavra de Deus; a comunicação da mensagem da fé recebida da Igreja; a tarefa da educação da fé. Nisso, o próprio catequista não ocupa o primeiro lugar. O principal agente da evangelização é o Espírito Santo. Por isso, o catequista deve rever constantemente seus encontros catequéticos, sentindo que o seu princípio inspirador se realiza em nome do Espírito do Pai e do Filho e do Espírito Santo (CT 72).

Não há nem haverá evangelização possível sem a ação do Espírito Santo. É ele que impulsiona cada pessoa a anunciar o evangelho (EN 75). O Espírito Santo é o mestre interior da fé. E a catequese que participa do crescimento da fé e da maturação da vida cristã até a plenitude é, por conseguinte, uma obra do Espírito Santo; obra que só ele pode suscitar e alimentar na Igreja (CT 72).

Os catequistas são apenas mediadores, instrumentos a serviço dessa ação do Espírito, pois a Igreja, quando exerce a sua missão catequética, como também cada cristão que a exerce na Igreja e em nome da Igreja, deve estar bem consciente de que atua como instrumento vivo e dócil do Espírito Santo (CT 72).

Sob a ação do Espírito Santo a catequese progride na compreensão das Sagradas Escrituras, quer pelo estudo, pela reflexão ou pela experiência espiritual pessoal e/ou comunitária.

O catequista anuncia a Palavra de Deus pela força do Espírito Santo. Quem acolhe a Palavra é também movido pela graça do mesmo Espírito, o mesmo Espírito que inspirou os autores sagrados. É ainda o Espírito Santo que atualiza a Palavra de Deus, tornando-a viva e eficaz no coração daqueles que creem. “O Consolador vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito (Jo 14,25-26).

Há, sem dúvida, catequistas atualizados e em processo de formação contínua, com profunda consciência de sua missão como evangelizadores. O que também não deixa dúvidas é que esses catequistas sejam minoria em meio a uma grande multidão de “treineiros catequéticos”.

Nesses casos, à incipiente vida de oração e compromisso, junta-se a dificuldade em expressar, de forma clara ao catequizando de hoje, a natureza, a necessidade e o método da experiência cristã. Falta uma metodologia da vida no Espírito que seja acessível, não só ao catequizando, mas em primeiro lugar ao próprio catequista, para que possa vivenciar a Trindade como eixo da própria vida e, assim, despertar a ação do Espírito ao mundo que vive sedento de Deus.

Os primeiros escritos cristãos já ofereciam critérios práticos para a vida espiritual (1Cor 5,13-26; 1Ts 4,1ss; 5,12ss). A tradição, especialmente nos primeiros séculos, privilegiou essa busca da vida no Espírito e a colocou no centro da vida cristã. Mas a novidade inerente a tudo o que é movido pelo Espírito — especialmente a catequese — exige que se busque redescobrir e atualizar tais critérios para o povo de Deus hoje. Quem é o catequista que, hoje, precisa e procura viver no Espírito? Como despertar no catequizando a mesma paixão pela eterna novidade de Deus?

Se “Espírito Santo” é tema de catequese, é importante ver em que termos esse tema se define e em que dinâmica pode ser legitimamente trabalhado. Cabe, por fim, uma análise particular da catequese crismal.

 

2. Deve o Espírito Santo ser assunto de catequese?

Esta parece ser uma pergunta ingênua. Mas seria bom que o leitor fizesse uma pesquisa entre os catequistas, seus conhecidos, com o seguinte questionamento:

 

• O Espírito Santo deve ser assunto de catequese? Por quê?

Da pesquisa que fizemos, conseguimos anotar algumas das respostas:

— “Sim, porque hoje todo o mundo fala do Espírito Santo e as crianças sempre ficam perguntando”;

— “Não, porque é muito complicado falar que Deus é três pessoas. Confunde muito”;

— “Na Crisma, sim. Antes não precisa, porque é para preparar para a Primeira Eucaristia, porque é o sacramento de Jesus”.

“Porque precisamos saber que o Espírito Santo é uma pombinha”.

 

Não vamos rejeitar essas respostas como vindas de catequistas com formação insuficiente. Elas revelam mais do que pretendem e nos dão pistas de como apresentar ao catequizando de hoje a maior aventura de todos os tempos: a vida no Espírito.

 

“… todo o mundo fala do Espírito…”

Não é razoável abordar o Espírito Santo na catequese meramente por ser objeto de curiosidade. Nem o seria tampouco se o fizéssemos porque assim pede o Catecismo da Igreja Católica (CIC). Correríamos o risco de cair num vazio.

O Espírito Santo é assunto de catequese porque está no CIC ou está no CIC porque é assunto de catequese? A resposta está mais além.

Grupos pentecostais e movimentos populares, círculos bíblicos e CEBs, guerrilhas e ONGs não se explicam apenas pela ótica das ciências sociais. São, antes de tudo, sinais dos tempos! Não deixam de ter um papel questionador, profético, na “nova” ordem mundial. Toda essa complexidade está marcada, antes de tudo, pela ação do Espírito.

O Espírito age no mundo. Isso é motivo para que o Espírito seja tema de catequese. Por que, tendo aberto os olhos para a ação contínua, generosa e eficaz do Espírito em toda a humanidade, o catequizando torna-se também participante consciente desse movimento de transformação e renovação da pessoa humana, da Igreja e da sociedade.

A catequese sobre o Espírito Santo pode começar a partir da curiosidade do catequizando. Que é isso do “Espírito” de que tanto se fala? O que faz? O que tem o catequizando que ver com ele? Que diferença faz em sua vida?

Essa abordagem supõe no catequista uma ampla vivência espiritual, experimentada na comunidade e no compromisso com a vida, bem como formação teológica adequada. Não se sabe falar sobre o Espírito quando não se busca uma profunda intimidade com ele.

 

“… falar que Deus é três pessoas.”

Ultimamente pouca atenção tem sido dada ao tema da Trindade. Talvez porque, a muitos catequistas, Trindade soe mais como conceito do que como realidade. Pensam-na como abstração teológica que pouco interessa ao povo, e assim preferem lidar diretamente com o conceito mais simples de Deus. A religiosidade latino-americana não tem uma marca trinitária muito profunda, como os cristianismos orientais. Mesmo Jesus é, para muitos, um “santo forte” — nem sempre mais popular do que Santo Antônio ou Nossa Senhora Aparecida… Dessa forma, a realidade trinitária não é vivida em consciência porque o cotidiano do povo passa ao largo da questão.

Há um segundo ponto do histórico argumento contra as tentativas de entendimento da Trindade. As constantes condenações às correntes modernistas no século passado ajudaram a encorajar, na catequese, uma rejeição à abordagem racional do dogma. Um clássico recurso para tanto foi a divulgação do episódio em que Santo Agostinho vê-se convencido por um garoto de que toda a sua inteligência jamais seria suficiente para abarcar o mistério — o que não deixa de ser uma realidade. Mas o fato é que a insuficiência passou logo para incompetência, de modo que perguntar demais a respeito foi sendo apontado como pecado. Assim, as dúvidas não encontravam espaço para serem sanadas e passaram a ser entendidas como falta de fé ou inaptidão do povo para o conhecimento teológico.

Há, por outro lado, certo mal-entendido na questão particular do Espírito, quando a ele se associa a lembrança desagradável de eventos como fanatismo, desacordos pastorais ou a espiritualização incoerente da fé. Existe mesmo uma “briga” com o Espírito Santo, ou seja, transfere-se a esse nome todo mal-estar causado por um sentir (dos outros ou de si mesmo) não aceito. Enfim, a catequese sofre porque, ao trazer o assunto do Espírito, receia ser chamada de carismática e/ou espiritualizante.

O primeiro passo para uma abordagem catequética do Espírito na Trindade seria desfazer, esses enganos. A Trindade deve ser vivida, sentida e entendida, na consciência de que estamos diante do Mistério que nos faz viver. Nosso Deus não é um solitário perdido em meio a criaturas imperfeitas e insatisfatórias, destinadas à morte e ao nada. Nosso Deus é plena comunhão e essa certeza é revolucionária para o catequizando.

A catequese pode abordar o tema a partir de um sonho utópico. Crianças e adolescentes têm maior abertura para o sonho — mesmo com adultos esse recurso é válido. Sonhar com partilha, respeito mútuo, afeição profunda, tudo em situações muito concretas. O catequista pode estimular a capacidade de imaginação dos catequizandos, sugerindo-lhes exemplos de comunhão real no contexto em que vivem. O catequizando que experimentou o desejo da plena comunhão experimentou a vida trinitária.

O Espírito Santo, no contexto da Trindade, é a força vital que nos atrai, que nos faz convergir para uma sempre maior comunhão entre todos os homens. Não seria demais reforçar que nenhum discurso sobre a plena comunhão da Trindade superará a falta de testemunho dos próprios catequistas e da comunidade.

 

“… Eucaristia que é o sacramento de Jesus.”

Nossa catequese ainda padece de um grave desvio: o sacramentalismo. Ela se desenvolve quase unicamente em torno da preparação à (Primeira) Eucaristia e à Crisma. A dificuldade está em que, fora desses períodos privilegiados de formação intensiva, o cristão quase não terá outra oportunidade de aprofundar sua fé de forma sistemática.

Nesse desvio vem o impedimento de ver mais longe: a compartimentalização da ação de Deus em momentos estanques da vida. O Pai, nós encontramos no Batismo; o Filho, um pouco mais frequentemente, na Eucaristia. O Espírito Santo acaba ficando para uns poucos “pós-graduados”, uma minoria de jovens que vêm às igrejas procurar a Crisma por motivos diversos. Perde-se assim o elemento-chave da compreensão e da vivência do mistério trinitário: a colaboração íntima entre as Pessoas para que vivamos, como eles, em plenitude.

Espírito Santo não é assunto da catequese crismal, somente. Também não é só para quem vive em oração constante. A dinâmica do encontro catequético, quando favorece o diálogo e a libertação do catequizando, é Comunhão; o entusiasmo do catequista, quando se faz acolhedor e no respeito às diferenças, é Espírito. O catequizando não vem à catequese apenas por curiosidade, obrigação ou desejo pessoal — desde o começo é impulsionado pelo Espírito em tudo o que faz em favor da Vida. Como Jesus é enviado pelo Pai no Espírito, é no Espírito que respondemos à sua convocação em todos os tempos e lugares.

Sem o Espírito nada podemos fazer, nem (sobretudo) catequese.

 

3. A catequese crismal

A Crisma ou Confirmação é conhecida como sacramento do Espírito Santo. Não que pelos outros sacramentos o Espírito não aja no meio do povo; ocorre que a Crisma é justamente o sinal por excelência que torna “palpável” essa mesma ação contínua. É o exercício litúrgico da vida no Espírito. Vale recuperar as origens bíblicas desse sacramento e por aí algo do sentido que tem desde suas origens.

A Crisma é, antes de tudo, um sinal da experiência que se fez no Espírito Santo, vivida pelos discípulos de Jesus. Os primeiros discípulos, reunidos no Cenáculo (At 1-2) em número de 120 (At 1,15) — número que nos remete a todo o povo de Deus simbolicamente indicado por 10 x 12 — não eram meros simpatizantes de Jesus. Ao lado dele, tinham passado por todas as provas possíveis (Lc 22,32s), com mais ou menos hesitações (9,40.53s). Vieram da Galileia com Jesus e com ele percorreram a Palestina pregando o Reino de Deus (9,1-6). Comeram com gente impura (5,30), tocaram doentes e expulsaram demônios (10,17). Passaram também pela rejeição dos demais grupos judeus (19,39), foram perseguidos por serem do grupo de um subversivo condenado à morte (22,56). Ainda custavam a crer na realidade da ressurreição (24,11.16.37.41; At 1,10-11).

Este foi o contexto da caminhada dos discípulos. A vinda do Espírito Santo não se deu sobre gente curiosa ou despretensiosa. Ela assinala o clímax da caminhada dos discípulos. É o coroamento dos anos de aprendizado; foi a expressão para testemunharem a ressurreição e continuarem a anunciar o Reino.

O Espírito vem confirmar o que os discípulos já vinham afirmando em sua prática evangélica ao redor do Mestre. Não estão começando nada — estão sendo confirmados naquele projeto de vida em que vinham caminhando até ali. Pentecostes é o sacramento das testemunhas do Ressuscitado, e só podiam testemunhar a ressurreição aqueles que o haviam visto torturado e morto na cruz.

A Crisma quer ser mais que memória do Pentecostes de At 2, ocorrido no século I. A Crisma é o sinal visível do Pentecostes que está acontecendo hoje no dia a dia dos seguidores de Jesus. Aqui aparece o papel da catequese em preparação à Crisma.

A catequese crismal visa, em primeiro lugar, a ajudar os crismandos a perceber a ação do Espírito em sua vida. Os crismandos precisam tomar consciência da atualidade da proposta de Jesus, que não está no passado, mas continua viva e atual — é brasa sempre viva porque o Espírito a sopra continuamente. A Crisma é o sacramento das testemunhas da ressurreição. Essa compreensão da catequese crismal tem a virtude de nos apresentar outro desafio: como tomar consciência de algo que não se notou, testemunhar algo que não se presenciou?

A experiência do Jesus ressuscitado não é privilégio dos primeiros discípulos ou dos mestres de oração da tradição cristã. É um dado fundamental da vida do cristão em todos os tempos.

Só no Espírito essa experiência pode acontecer — e o Espírito age antes, durante e depois da Crisma. Antes, movendo o crismando a conhecer e vivenciar maduramente a proposta do Reino. Durante, fazendo com que o sacramento realize o que quer significar. Depois, convidando a um contínuo discernimento diante das situações da vida, na abundância dos dons espirituais.

Não é possível levar à Crisma catequizandos preparados apenas em reflexão e doutrina. A Crisma é um sacramento que exige um mínimo de maturidade, porque o ser testemunha da ressurreição exige que a experiência da ressurreição seja feita no dia a dia. Em nossa época, essa experiência pode-se fazer no engajamento comunitário, na atuação civil em favor da vida, na militância sociopolítica e de muitas outras formas.

Nossas comunidades estão desafiadas a fazer da preparação à Crisma um momento de redescoberta do Jesus ressuscitado pela força do Espírito. E isso equivale à presença real no meio do povo excluído, entre aqueles que vivenciam a cada dia uma ressurreição.

A metodologia da catequese crismal caminha por aí: levar o crismando a uma experiência pascal, respeitando todas as suas etapas essenciais (anúncio, seguimento, cruz, ressurreição, pentecostes), não intelectualmente, não teoricamente, mas na prática! Deve haver uma etapa de catequese formal, sistemática, sem o que se perde a visão de conjunto.

Uma catequese no Espírito é essencialmente experiencial, testemunhal e orante. Sem essas dimensões fundamentais, nossa catequese não vai passar de um bate-papo sobre um “ilustre desconhecido”.

 

“E recebereis o dom do Espírito Santo” (At 2,38)

O Espírito Santo é o autor da vida cristã, da vida nova dos filhos de Deus. Como cristãos somos chamados a “viver segundo o Espírito” (Rm 8,9-13). O Espírito Santo derrama os diversos dons para o bem da Igreja. Ele realiza a unidade e a diversidade na Igreja, concedendo a variedade de carismas e ministérios.

Por isso, a redescoberta da presença e da ação do Espírito é um dos compromissos na preparação ao Jubileu. Por ele recebemos luz para ver e julgar os sinais que o Espírito suscita no mundo e na Igreja e força para agir segundo os critérios do Evangelho.

Em nossa ação catequética num encontro amoroso com os catequizandos, somos convidados a aprofundar os dons do Espírito Santo que nos dispõem a maior abertura de que fala S. Paulo. Em vez de sufocarmos o dinamismo do Espírito (cf. 1Ts 5,19) tornemo-nos cada vez mais livres, profundos e fraternos através da fé, que nos faz testemunhar que, vivendo os dons do Espírito recebidos nos Sacramentos do Batismo e da Confirmação, anunciamos os frutos de esperança e de amor.

***

O texto a seguir pretende ser um instrumento para refletir e rezar, a fim de que os dons do Espírito Santo penetrem na vida de todo catequista.

 

Dai-nos, Senhor, o dom da sabedoria fazendo-nos gostar das coisas divinas, aumentando o nosso amor para convosco.

Dai-nos, Senhor, o dom do entendimento para que possamos entender o vosso Projeto revelado na Sagrada Escritura e na vida da Igreja.

Dai-nos, Senhor, o dom do temor de Deus para que, conscientes de nossa fragilidade, busquemos a vida da graça, na plenitude do vosso amor.

Dai-nos, Senhor, o dom da piedade para que, atraídos por vós, possamos viver na plena intimidade convosco.

Dai-nos, Senhor, o dom da fortaleza para que possamos ter força, coragem e perseverança na luta pela transformação da sociedade.

Dai-nos, Senhor, o dom da ciência para modificar a sociedade sem nos desviarmos da verdade e da justiça.

Dai-nos, Senhor, o dom do conselho para encaminhar as pessoas a descobrir e a viver o Projeto de Jesus.

 

A evangélica opção preferencial pelos pobres é o dom do Espírito Santo a toda a Igreja, e carisma especial dado a várias pessoas e grupos. Deve ser desejado e pedido como dom precioso que é vivido como sinal do Reino.

Pela vivência desses dons, testemunhamos os frutos deste mesmo Espírito.

São frutos do Espírito Santo: amor, alegria, paz, paciência, longanimidade, bondade, benignidade, mansidão, fidelidade, modéstia, continência e castidade.

Ir. Mary Donzellini, mjc; Maria Paula Rodrigues