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Publicado em Setembro-Outubro de 2019 – ano 60 – número 329 - Pág. 25-34

A misericórdia no documento conclusivo de Medellín (1968)

Por Matheus da Silva Bernardes

O objetivo deste artigo é apresentar a categoria teológica “misericórdia” nas conclusões da Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano de Medellín (1968). Também se estabelece uma relação entre Medellín e o pontificado do papa Francisco.

Introdução

É inegável a influência da tradição eclesial latino-americana no pontificado do papa Francisco: sua ênfase em uma Igreja para pobres, sobretudo em uma Igreja pobre, mostra que ele se inspira na vida teológica e pastoral da América Latina. Ao mencionar essa tradição, é preciso reconhecer a importância da Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano de Medellín (1968), poucos anos após a clausura do Concílio Vaticano II. Medellín significou grande esforço de traduzir a novidade do Concílio para a realidade do subcontinente.

Ao olhar para a realidade que os circundava e buscar no evangelho respostas para os desafios dessa realidade, os bispos se encontraram com uma região que passava por profundas mudanças, mas ainda era marcada pelo flagelo da desigualdade social: o modelo colonial não tinha sido superado, e a grande maioria da população se via subjugada por aqueles que detinham o poder político, econômico e cultural.

O clamor por justiça se tornou o clamor da Igreja, que viu na desigualdade social e no desrespeito à dignidade humana antissinais do Reino. Medellín constatou que tinha chegado a hora da ação da Igreja (cf. Introdução, n. 3) – portanto, hora de se comprometer com a justiça.

1. O texto conclusivo de Medellín (1968)

A estrutura temática do documento conclusivo da Conferência de Medellín possui três partes: uma dedicada à promoção humana dos povos latino-americanos, outra que insiste na urgência de adaptar a evangelização às novas circunstâncias do subcontinente e, finalmente, uma parte que versa sobre a Igreja e suas estruturas visíveis (cf. Introdução, n. 8).

Vale destacar que libertação é uma categoria teológica que perpassa todo o documento e está referida tanto à salvação escatológica como à superação de estruturas injustas que não permitem o pleno desenvolvimento humano neste mundo (cf. Introdução, n. 6).

1.1. Promoção humana

A promoção humana dos povos latino-americanos acontecerá mediante os valores da justiça, paz, educação e família. Após a dramática constatação de que a grande maioria dos povos latino-americanos vive em uma situação de miséria e pobreza extrema, sentiu-se a urgência de encontrar caminhos para a superação dessa realidade. Isso acontecerá somente quando a fome e sede de justiça dos povos forem saciadas, e, para tanto, é fundamental a eliminação de estruturas que promovem a falta de integração sociocultural dessa maioria pobre, assim como a superação de estruturas injustas (cf. Justiça, n. 3).

Em vista desse objetivo, é fundamental a libertação integral do ser humano, isto é, a libertação de toda forma de opressão histórica. Cristo liberta o ser humano, tornando-o “criatura nova” (2Cor 5,17), mas também o impulsiona à superação do pecado histórico, que impede a promoção humana. A libertação do pecado histórico exige a conversão ao Reino, o que será, para o ser humano, fundamento de verdade e sinal de liberdade (cf. Justiça, n. 4).

O amor a Cristo se transforma em amor ao próximo e, portanto, em força de libertação da injustiça social e de promoção da vida (cf. Justiça, n. 5). Desperta-se, assim, a solidariedade entre todos os homens e mulheres, o que permite o processo de personalização e integração social. Todos os cristãos – ministros ordenados, religiosos, religiosas, leigos e leigas – são convocados a trabalhar nesse sentido e comprometer-se com a formação de uma sociedade justa.

Essa convocação também tem como meta a superação de todas as situações de pecado que promovem a tensão e a falta de paz entre as classes sociais no subcontinente (cf. Paz, nn. 2-3). A violência à qual estão expostos muitos homens e mulheres na América Latina, especialmente os mais pobres, é fruto da injustiça.

Isso também é tarefa das famílias, especialmente dos pais, os primeiros educadores e evangelizadores dos filhos. Não basta transmitir os “valores tradicionais” do evangelho às novas gerações; é mister que elas também compreendam que o evangelho traz consigo um compromisso real com os acontecimentos históricos. Deve-se, portanto, insistir que a verdadeira piedade para com Deus é também compromisso histórico (cf. Família e Demografia, n. 6).

Por último, a primeira parte temática do documento insiste na necessidade de uma educação verdadeiramente libertadora, isto é, que promova a formação de sujeitos responsáveis pelo próprio desenvolvimento. Assim, é estimulada a educação integral, que permite ao ser humano superar servidões injustas, mas, ao mesmo tempo, se converte em antecipação da redenção plena de Cristo. Destinatários dessa educação integral e integradora são, sobretudo, os mais pobres (cf. Educação, n. 9).

1.2. Renovação da evangelização

A Conferência Geral de Medellín chegou à constatação de que a América Latina é uma região que passa por rápidas mudanças sociais, o que exige da Igreja uma atualização de seus métodos evangelizadores. Sem perder a originalidade própria do evangelho de Jesus Cristo, a Igreja se vê interpelada a procurar novos meios que expressem a riqueza dessa Boa-Nova. Especial atenção nesse processo têm os jovens, não só como destinatários da atividade eclesial, mas como seus protagonistas (cf. Juventude, n. 12).

Por um lado, os bispos se encontraram com o grande desafio de respeitar e, ao mesmo tempo, evangelizar a pastoral das massas. Devido à situação colonial, sob a qual os países latino-americanos viveram por séculos, foi criada uma espiritualidade muito associada a devoções, mas pouco comprometida com o acontecer histórico. Embora não se possa negar essa espiritualidade (cf. Pastoral das Massas, n. 2), pois traz consigo balbucios de uma experiência autêntica, que expressa o verdadeiro temor a Deus (cf. Pastoral das Massas, n. 5), evangelizá-la mostra-se uma tarefa urgente.

Por outro lado, a renovação da evangelização não implica somente olhar para as massas e classes mais pobres da sociedade latino-americana; é necessário também empenho na pastoral das elites, anunciando o abandono de uma religiosidade que mantém o status quo e a conversão a uma espiritualidade que procura a fraternidade e a solidariedade com os mais necessitados. A Igreja se apresenta como espaço aberto para esse processo de conversão. Não se trata simplesmente de promover uma convivência pacífica entre as classes, mas sim verdadeira conversão à justiça e à promoção humana (cf. Pastoral das Elites, n. 13).

Medellín também deu atenção à renovação da catequese e da liturgia, seguindo o impulso dado pelo Vaticano II. Em primeiro lugar, a renovação da catequese tem de partir de um pressuposto básico: a unidade do plano salvífico de Deus. Isso significa que a salvação não se realizará somente como dom escatológico do Reino, mas na medida em que homens e mulheres se empenham na promoção dos valores humanos e na superação da injustiça (cf. Catequese, n. 4). Da mesma forma, a liturgia deve passar por um processo de renovação, sobretudo unindo a vida cotidiana dos fiéis à sua vivência de fé. A liturgia, especialmente a celebração da Eucaristia, é o espaço de comunhão entre os fiéis com o Deus da vida e com os irmãos e irmãs; converte-se, portanto, em compromisso com o surgimento de uma sociedade mais justa e fraterna (cf. Liturgia, n. 7).

1.3. A Igreja pobre

Na parte dedicada a temas diretamente relacionados às estruturas visíveis da Igreja, como os movimentos leigos, os sacerdotes, os religiosos, a formação do clero, a colegialidade e o uso dos meios de comunicação, os bispos se dedicaram a ampla reflexão sobre a pobreza da Igreja.

Novamente motivados pela prática eclesial, assumiram que a Igreja na América Latina não pode conviver com um status quo que traduz, em suas próprias estruturas, a injustiça social vivida na sociedade. É necessário que a pobreza, entendida como compromisso, seja abraçada voluntariamente e convertida em sinal da presença do Reino de Deus no meio deste mundo (cf. Pobreza da Igreja, n. 4). A pobreza da Igreja como compromisso reflete a pobreza de Jesus Cristo, que “se fez pobre, embora fosse rico” (2Cor 8,9).

De fato, Jesus é o fundamento da pobreza da Igreja: não só amou os pobres, mas assumiu sua condição para libertá-los do jugo de todo pecado histórico e injustiça (cf. Fl 2,7); veio anunciar a Boa-Nova aos pobres (cf. Lc 4,18), aos fracos e aos pequenos (cf. Mt 11,25). O compromisso real com a pobreza permite à Igreja ser solidária com os mais pobres, fazer do clamor deles seu próprio clamor, sobretudo no sentido de exigir que a justiça seja feita, e dar credibilidade ao seu testemunho no meio do mundo. Esse compromisso se traduz na opção por viver junto aos pobres, recusar o uso de títulos honoríficos e assumir um estilo de vida não movido pelas ambições terrenas, mas sempre disposto a servir.

A solidariedade com os mais pobres é exigência da caridade. Assim a Igreja, que prolonga a obra libertadora de Cristo na história, “apresentará ao mundo um sinal claro e inequívoco da pobreza do Senhor” (cf. Pobreza da Igreja, n. 18).

2. Medellín e a misericórdia

O texto conclusivo da II Conferência Geral de Medellín não menciona, nem sequer uma única vez, a palavra misericórdia. O mesmo acontece com os termos afins bondade e benevolência. Contudo, é possível verificar a presença dessa categoria teológica no texto e estabelecer uma conexão com alguns textos do papa Francisco, especialmente Evangelii Gaudium e Misericordiae Vultus.

A motivação do pontificado do papa Francisco e a de Medellín são as mesmas: a prática eclesial (cf. EG 24). Não obstante, quando o papa Francisco fala de misericórdia, não está pretendendo fazer uma reflexão doutrinal sobre ela; parte do princípio fundamental de que a misericórdia é o núcleo do ethos da Igreja, por ser o núcleo do ethos do próprio Deus; é a arquitrave que sustenta toda a vida da Igreja (cf. MV 10). A Igreja é chamada a ser misericordiosa especialmente em um mundo que sofre com o flagelo da miséria e a dor da injustiça (cf. MV 10).

Essa constatação aproxima ainda mais o papa Francisco de Medellín: ao olhar para a realidade que os circundava, os bispos da América Latina afirmaram em 1968 que era hora da ação; ao olhar sua realidade e ao se deixar iluminar pela boa-nova do evangelho do Reino, o papa Francisco, com insistência, também tem convidado a Igreja a agir, e agir misericordiosamente (EG 24).

2.1. Misericórdia e promoção humana

O texto conclusivo de Medellín insiste fortemente na promoção humana, chegando até a afirmar que a libertação histórica dos mais pobres não é contrária à salvação escatológica de toda a humanidade; ou seja, mediante a superação de toda forma de injustiça social, a salvação escatológica já se faz presente na história.

O rosto da misericórdia do Pai, revelada à humanidade em Jesus Cristo (cf. MV 1), não mira outra coisa senão a restauração da humanidade perdida pelo pecado e desfigurada pelas faltas históricas (cf. MV 19). A misericórdia divina não é mero sentimento religioso, mas “realidade concreta, pela qual Deus revela o seu amor como de um pai e de uma mãe que se comovem pelo próprio filho até o mais íntimo das suas vísceras” (MV 6).

A misericórdia não se opõe ao clamor de justiça dos mais pobres. Tanto misericórdia como justiça se desenvolvem gradualmente, até chegar à totalidade do amor (cf. MV 20). A justiça de Deus, em Jesus Cristo (cf. Fl 2,16), converteu-se em libertação para quantos são oprimidos pelo pecado e suas consequências; a justiça de Deus se converteu em perdão e misericórdia (cf. MV 20).

No caso da América Latina, a exigência que a Igreja assume de clamar por justiça não se baseia somente em um imperativo social, mas verdadeiramente em uma “comoção visceral” da própria Igreja diante de seus filhos e filhas que sofrem sob o peso do pecado histórico de injustiça e exclusão. A promoção humana revela-se uma ação cheia de bondade e misericórdia, ou, como o documento repete inúmeras vezes, cheia de solidariedade para com os mais pobres.

2.2. Misericórdia e renovação da evangelização

Não só na Conferência de Medellín, mas também nas que a seguiram (cf. Puebla, n. 188; Aparecida, nn. 28-29) e na tradição eclesial latino-americana, nota-se claramente uma acentuação cristológica que dirige toda a atividade da Igreja. Esta, chamada a dar continuidade à obra redentora ao longo da história, somente poderá fazê-lo com os olhos fixos em Jesus.

Contemplando o rosto misericordioso do Pai no rosto de Jesus de Nazaré, é possível concretizar o amor da Santíssima Trindade para com a humanidade pecadora; amor capaz de converter e transformar toda a existência (cf. MV 8). Toda renovação da evangelização começa por aqui. A contemplação do rosto da misericórdia não é só conteúdo novo da evangelização, mas também método.

O empenho dos bispos reunidos em Medellín para transformar os jovens em protagonistas da vida eclesial, a necessidade da evangelização dos movimentos de massa e de elite, assim como o esforço de continuar com a renovação da liturgia e da catequese orientada pelo Concílio Vaticano II, também expressam uma obra de misericórdia.

Não se trata apenas de um trabalho de organização intraeclesial e renovação de estruturas pastorais, mas de um processo de reconhecimento do rol próprio dos filhos e filhas de Deus para a realização da missão da Igreja (cf. EG 112). Não se trata de olhar para tantos membros da Igreja somente como destinatários de sua ação pastoral, e sim de ver em seu rosto sujeitos livres e responsáveis pela ação eclesial, o que é possível só quando existir verdadeira bondade e misericórdia nas diversas organizações da Igreja.

2.3. Misericórdia e a Igreja pobre

A grande motivação da Igreja para viver a pobreza como compromisso não é outra senão a misericórdia do próprio Deus, que não foi indiferente à pobreza do ser humano, mas permitiu a todos se enriquecerem com a pobreza de Jesus (cf. 2Cor 8,9). As entranhas de misericórdia do Pai revelam um Deus não impassível, mas cheio de amor e clemência para com os seus.

Nesse sentido, a Igreja, ao abraçar a pobreza não só por amor, mas se fazendo pobre com os mais pobres, também expressa amor e clemência para com eles e conquista credibilidade aos olhos do mundo (cf. MV 12). A credibilidade da Igreja no meio do mundo não se realiza por suas ambições mundanas, mas pela sua opção pelos pobres e por sua vida.

Em não poucas ocasiões, a consciência da sociedade se encontra adormecida diante do drama da pobreza e da miséria (cf. MV 15). A Igreja, em sua opção fundamental pelo pobre e pela pobreza, quer despertar essa consciência adormecida e clamar para que seus filhos e filhas não sofram pela falta de bens materiais mínimos e também para que as elites não se tranquilizem diante de um projeto equivocado de pobreza espiritual.

A pobreza como compromisso é uma ação concreta de misericórdia para com os mais pobres e, também, para com todo o mundo. O escândalo da pobreza extrema revela a profundidade do pecado histórico da injustiça; a pobreza vivida como compromisso histórico revela um Deus bondoso e compassivo, cujo Filho encarnado também viveu entre os mais pobres dos pobres.

Conclusão

O que se buscava em Medellín era responder, mesmo com limitações, aos desafios presentes no subcontinente mediante uma prática eclesial renovada. O foco era a ação da Igreja, seu serviço aos povos latino-americanos. Medellín foi a continuação do próprio Concílio na América Latina, traduzindo seus principais impulsos em uma realidade concreta marcada pelo subdesenvolvimento e em rápida transformação.

Desde Medellín, a Igreja latino-americana vivencia a necessidade de partir sempre da prática e, assim, iluminar sua reflexão teológico-pastoral. Por ter bebido dessa tradição eclesial continental, o papa Francisco tem a prática eclesial como foco principal de sua reflexão. Não se trata de refletir primeiro para depois traduzir a reflexão em prática, mas justamente o contrário: a prática é o ponto de partida da reflexão. Medellín consagrou a expressão “práxis libertadora” (Introdução, n. 6), enquanto o papa Francisco insiste na “práxis misericordiosa” (EG 193): ambas possuem sua origem no próprio Deus libertador e misericordioso, que não hesita em se abaixar para salvar seu povo de seus pecados e de toda injustiça (cf. Fl 2,7).

A modo de conclusão, cabe aprofundar-se em mais uma concordância entre Medellín e o magistério do papa Francisco: a reconciliação (cf. Paz, n. 14; EG 229-230). A América Latina da segunda metade do século passado se encontrava em uma situação histórica delicada: a maioria de sua população sofria com o subdesenvolvimento, chegando até a não ter o mínimo para a sobrevivência; uma pequena elite detinha o poder político, econômico e cultural, além de estar mergulhada no jogo de interesses econômicos mundiais relacionados à extração de matérias-primas para alimentar o parque industrial do mundo desenvolvido. Infelizmente, 50 anos se passaram e a situação não mudou muito. É possível identificar alguns processos que focam a melhoria de vida da população, mas a maioria ainda continua pobre e não são poucos os casos daqueles que não possuem acesso ao básico para sobreviver.

A Igreja, em sua missão profética e materna, quer estar junto com os que mais sofrem: a pobreza como compromisso é profecia, mas também cuidado materno com os mais fracos. Além do mais, seja por seu ímpeto de vencer toda injustiça, seja por sua missão universal, que não lhe permite fazer distinção de pessoas, a Igreja quer promover em seu seio a reconciliação dos povos (cf. Ef 2,14-16).

No caso concreto da América Latina, a Igreja está diante da árdua tarefa de reconciliar os mais abastados com os mais pobres, fazendo que aqueles sejam mais sensíveis e solidários com as necessidades destes; também são suas preocupações a reconciliação dos mais pobres com os mais abastados, suscitando naqueles a autêntica reivindicação de serem os protagonistas do próprio desenvolvimento, e a superação de todo tipo de violência.

Reconciliação é tarefa árdua, porém urgente. Tarefa que não perdeu sua vigência, como o documento conclusivo de Medellín, e está na vanguarda da vida das comunidades eclesiais, como o pontificado do papa Francisco. A reconciliação é o resultado da união do empenho pela justiça com o movimento rumo ao mais fraco, próprio da justiça e da misericórdia, próprio do amor.

Matheus da Silva Bernardes

Matheus da Silva Bernardes, presbítero da Arquidiocese de Campinas, é atualmente administrador da Paróquia Nossa Senhora Aparecida dos Campos Verdes, em Hortolândia, SP. Graduado em Teologia pela PUC do Chile, em Santiago. Mestre em Teologia Sistemática pela Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, em São Paulo. Especialista em Teologia Pastoral e doutorando em Teologia Sistemática pela Faje, em Belo Horizonte. E-mail: pe.matheusbernardes@gmail.com