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Publicado em janeiro-fevereiro - 2014

Paróquia, rede de comunidades – A conversão pastoral

Por José Luiz Gonzaga do Prado

Renovar a paróquia e a Igreja, como pedem documentos oficiais e papa Francisco, passando de uma forma monárquica, com estrutura de poder concentrado nas mãos de um só, para uma Igreja estrutura de participação, composta de redes de comunidades, requer verdadeira conversão pastoral. O autor reflete sobre os entraves concretos a essa conversão.

Expus a catequistas de três paróquias da diocese as Diretrizes para a ação evangelizadora da Igreja do Brasil. Sobre as propostas das Diretrizes… que falam em mudança de estruturas e na paróquia como rede de comunidades, ouvi dos catequistas esta observação: “Como os bispos escrevem umas coisas tão bonitas, tão certas, mas a gente nunca ouviu falar nisso, ninguém toma qualquer iniciativa, nem padres nem bispos fazem nada para mudar!”

O que falta

Falta uma pequena coisa que está nas Diretrizes… e no Documento de Aparecida, algo do qual o papa Francisco falou várias vezes: a conversão pastoral. Ela não se faz porque há dois entraves grandes: o poder e o dinheiro.

O poder: não é fácil deixar as rédeas, o controle total, o poder absoluto. Não é fácil descentralizar as decisões, ouvir as bases, submeter-se ao povo, favorecer o crescimento do mesmo povo, deixar de ser dono e patrão e passar a ser empregado. Não é fácil ser capaz de realizar na prática o que disse um colega quando assumiu uma paróquia: “Não sou eu que estou tomando posse da paróquia, vocês é que estão tomando posse de mim!” Não é fácil, pelo gosto do poder, não é fácil, pela insegurança que isso provoca, pois não se está preparado para agir de outra forma.

O dinheiro se liga visceralmente ao poder: o poder dá dinheiro e o dinheiro dá a sensação de poder. Para que a pastoral do dízimo deixe de ser a mais importante da paróquia, é preciso despojar-se, diminuir os gastos pessoais e institucionais. O aparato caro pode esconder a falta de conteúdo, o brilho exagerado ofusca e cega para que não se vejam pecados, falhas, erros e imperfeições. A força do dinheiro substitui a força do evangelho. O poder da moeda faz esquecer “aquele que se fez pobre para nos enriquecer com a sua pobreza” (2Cor 8,9).

Conversão

Conversão traduz a palavra grega metanoia. Metá de metamorfose, mudança de forma, e noia de paranoia. Conversão é mudança de cabeça, portanto. É mudança de mentalidade, de conceitos, de sonhos, de objetivos de vida. Sem mudar o objetivo pessoal de domínio, de senhorio, de servir-se e ser servido, pelo objetivo coletivo de realizar o projeto de Deus, de construir a Igreja de Jesus Cristo, de servir o povo de Deus para que ele seja sujeito, e não objeto a ser manipulado, não há o que fazer.

Conversão, mudança de cabeça, mudança completa de rumos na vida, não é fácil. Sem ela, porém, não se consegue ser discípulo de Jesus. Quem não põe em segundo plano a própria pessoa, a família e tudo o mais, quem não tem uma causa pela qual valha a pena sacrificar tudo, até a própria vida, nunca será discípulo do Crucificado (Mt 10,37-39 e Lc 14,26-33 falam disso). Lucas (vv. 28-33) insiste: para quem não estiver com total disposição de deixar tudo para trás, o melhor é desistir. E essa causa que vale mais do que eu mesmo é, concretamente, contribuir para formar uma Igreja que seja verdadeiro sacramento de salvação para a humanidade.

Pastoral

O Documento de Aparecida e as Diretrizes… repetem frequentemente a necessidade de uma mudança de estruturas pastorais. O papa Francisco, que foi da equipe de redação do Documento de Aparecida, também não deixou de falar nisso. Que estruturas seriam essas?

Podemos começar com o que disse o papa Francisco: deixar uma estrutura burocrática, baseada em documentos, papéis, assinaturas, carimbos, horário, por um esforço de aproximação das pessoas. O papel distancia. A mãe não se comunica com o filho por meio de papéis, mas do abraço, do carinho, da proximidade, lembra o papa Francisco, fazendo o gesto do abraço! Menos papel, menos normas e regulamentos – já existem muitos cânones no código, não é preciso criar mais. Menos horários e mais afeto e proximidade com as pessoas. O que Francisco falou é, em boa parte, consequência e também causa de outras mudanças necessárias.

Renunciar a uma Igreja monárquica, estrutura de poder concentrado nas mãos de um só, e converter-se a uma Igreja que seja estrutura de participação. Aliás, nas cidades gregas onde Paulo pregou o evangelho, como Tessalônica, por exemplo, ekklesia era a reunião da elite econômica e social para tomar algumas decisões sob a autoridade do poder absoluto de César. Paulo, porém, chama de “ekklesia dos tessalonicenses em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo” o grupo de trabalhadores braçais, a última classe social, que se reunia nas casas para alimentar a sua fé e decidir os passos que deveria tomar.

Dizer que a paróquia é uma comunidade pode enganar (?) quem fala, mas talvez não engane quem escuta. J. Marins diz que é o mesmo que colocar 500 passageiros num avião onde só cabem cem. É claro que o avião não vai decolar. Por mais que se afirme, por mais que se repita a palavra comunidade, nada acontece, o avião não decola. A realidade não se muda com palavras, mas com atitudes.

A conversão seria dizer: “as comunidades que formam a paróquia”, se é que isso corresponde mesmo à verdade. Comunidade é um grupo menor, onde as pessoas não só se conhecem, mas também se amam, são solidárias entre si e, além disso, têm consciência de formar uma comunidade que tem identidade e, portanto, autonomia.

Muitos poderão objetar: se as comunidades devem ter alguma autonomia, se não estão totalmente submissas ao poder exclusivo do pároco, então acabou a estrutura da Igreja. Não é isso que os nossos documentos (DAp e DGAE) e o papa Francisco querem, quando falam em mudança de estruturas pastorais ou eclesiais?

Nos cafezais antigos plantados em linha, especialmente nas regiões montanhosas, uma chuva forte levava para os córregos todo o adubo e o húmus e até arrancava alguns pés de café. Nada ficava do que deveria alimentar as plantas. A técnica das curvas de nível, de acordo com a topografia do terreno, faz que grupos de pés de café fiquem no mesmo nível e, assim, conservem o húmus, o adubo e até mesmo a água da chuva.

Da mesma forma, se tudo na paróquia só vem do único que tem a palavra, temos o café plantado em linha: tudo o que desce lá de cima, como a chuva, escoa rapidamente. Mas se o povo está organizado em grupos menores, é como o cafezal em curvas de nível: todo o alimento é retido, a palavra de Deus, a oração e os sacramentos sustentam os grupos e as pessoas, a Igreja cresce e produz.

Rede

Rede é como a tela de arame de Michel Quoist, uma porção de buracos amarrados uns aos outros. Cada comunidade tem suas falhas e defeitos, mas, agarradas firmemente umas às outras, formam um sistema de rede que lhes dá força, porque mantém a identidade de cada uma, fortalece a união entre todas e se faz presença e atuação em todos os cantos por onde se espalham as comunidades.

No Segundo Testamento temos várias redes de comunidades ou igrejas. A rede de comunidades iniciadas por Paulo é a mais conhecida. Apesar das dificuldades da época, havia intensa comunicação entre elas. Elas fazem uma campanha de ajuda aos “santos” pobres da Judeia, o método seguido em umas serve de modelo para outras (1Cor 16,1).

Paulo organizava essas comunidades com conselhos que os Atos dos Apóstolos chamam de presbíteros, anciãos ou lideranças familiares – ele próprio fala em episcopoi ou bispos (Fl 1,1) – e com divisão de tarefas ou ministérios, diáconos em Fl 1,1. As comunidades caminhavam sozinhas. Ele não morava em nenhuma delas, mas, como apóstolo ou missionário itinerante, era quem gozava de maior autoridade. Ficava algum tempo em um lugar, depois em outro, e apenas por cartas se comunicava com suas Igrejas.

Em Éfeso, é provável que tenha havido comunidades cristãs de três redes diferentes: da rede liderada por Paulo, da rede de João autor do Apocalipse e da rede do IV Evangelho ou do Discípulo Amado.

Esta última rede se rompeu. As cartas de João dão testemunho disso. Diótrefes (3Jo 9), que se faz de chefe, não acolhe os missionários enviados pela comunidade do autor, até expulsa da sua comunidade quem os hospeda. O autor, porém, proíbe também as comunidades que o seguem de hospedar quem ali chegue com um ensinamento diferente (2Jo 10-11).

Dessa rede, as comunidades que não se desviaram uniram-se às “Igrejas apostólicas”, como diz Brown, às comunidades das redes iniciadas por Pedro, por Paulo e por outros apóstolos. E no anexo ao Evangelho do Discípulo Amado (capítulo 21) fica linda a imagem de Pedro carregando sozinho a rede que seis não tinham conseguido tirar da água e levando-a até Jesus, sem permitir que, mesmo com tantos peixes, ela se rompesse.

Comunidade

O termo comunidade goza de grande simpatia e por isso mesmo é largamente utilizado: serve tanto para enormes favelas disputadas entre traficantes e policiais como para falar em comunidade científica e comunidade internacional.

Não cabe aqui buscar definir um conceito sociológico de comunidade. Repito o que já disse: comunidade é um grupo menor, onde as pessoas não só se conhecem, mas também se amam, são solidárias entre si e, além disso, têm consciência de formar uma comunidade que tem identidade e, portanto, autonomia.

O Documento de Medellín (15.10) também diz:

A vivência da comunhão a que foi chamado deve ser encontrada pelo cristão em sua “comunidade de base”, isto é, em uma comunidade local ou ambiental, que corresponda à realidade de um grupo homogêneo e que tenha uma dimensão tal que permita o trato pessoal e fraterno entre os seus membros.

Nessa “comunidade de base” cabe-nos inserir o conceito “eclesial”, que faz da comunidade “local ou ambiental” também uma comunidade de fé, ou seja, guiada pelo compromisso com o Messias Jesus e ligada ou formando rede com outras comunidades que tenham as mesmas características.

Nesse sentido, temos o paradigma traçado pelos Atos dos Apóstolos nos três retratos da comunidade de Jerusalém: alimentar a fé, viver a solidariedade e transformar o mundo. O primeiro retrato destaca o alimentar a fé, o segundo destaca a vida solidária e o terceiro destaca a sombra de Pedro (da comunidade) curando os males do mundo.

O Novo Testamento todo, de resto, lido nessa ótica, revela-nos as virtudes e as fraquezas das comunidades cristãs primitivas.

O horizonte

Utopia e horizonte se assemelham. Vimos e ouvimos o papa Francisco dizendo aos jovens que é necessário ter uma utopia, um sonho coletivo, para a humanidade toda, um horizonte para onde caminhar sem nunca chegar, onde o céu e a terra se encontram. Isso é utopia, isso é horizonte.

A missão é plantar, não necessariamente colher. Tudo pronto e acabado só se faz com cimento, mas Jesus não nos manda ser cimento que acaba e para; manda ser fermento que não para, mas continuamente faz crescer a massa.

Uma Igreja formada de “comunidades de base” animadas pela fé e unidas em rede, comunidades lúcidas, conscientes, que em grupos menores buscam todo dia ter maior intimidade com o evangelho, ser casa da partilha e da solidariedade, cuja sombra transforma o mundo, é uma utopia que muitos rejeitam, esquecidos de que cimento, o definitivo, é só no céu: agora somos apenas fermento. A utopia é a colheita esperada; agora nos cabe apenas plantar, mas plantar de olho na colheita, de olhos fitos no horizonte, na utopia onde o céu se une à terra.

O caminho

Para caminhar, a primeira medida é sair de casa. Sair é, aliás, um dos verbos mais usados pelo papa Francisco, sair e ir ao encontro, ir à busca; sair é arriscado por causa dos possíveis acidentes, “mas prefiro uma Igreja acidentada a uma Igreja doente e em estado de depressão”, diz Francisco.

O começo do caminho tem de ter em mente a chegada, tudo deve contribuir para que se chegue lá. Se o que queremos é uma conversão, uma mudança de mentalidade, então, desde as primeiras decisões, essa mudança de mentalidade deve estar presente.

Lembro um colega que decretou a divisão de sua paróquia em tantas comunidades, com limites precisos, determinados por ele. Quem era de uma comunidade, se houvesse missa na comunidade vizinha, estava proibido de ir à missa, tinha de participar da celebração na sua comunidade. Entre os cargos e funções, todos nomeados pessoalmente pelo pároco, havia o encarregado das fichas. Devia ter uma ficha de cada família da comunidade. Aí anotava a participação dos adultos nas celebrações e nos grupos de reflexão ou círculos bíblicos e a das crianças na catequese etc. Era o encarregado das fichas que decidia se os jovens podiam se casar ou se a criança podia ser batizada. Contando-me como era sua paróquia, a certa altura pareceu sentir escrúpulos em ter sido tão autocrático. Disse: “Hoje, se eu fosse começar de novo… (arrependeu-se de estar arrependido) faria tudo do mesmo jeito!” Sem metanoia, nada feito!

O objetivo é que o povo se torne sujeito, que a Igreja seja comunidade, reunião de pequenos grupos de dimensões humanas, onde as pessoas se conheçam e possam ser solidárias e amar-se umas às outras. Antes, então, de pensar em uma estrutura pronta, que poderá cimentar as comunidades, um bom começo é pensar em pequenos grupos espontâneos (pessoas que se escolhem) para se reunir em torno da Palavra de Deus. Seriam os círculos bíblicos, grupos de reflexão ou grupos de rua, como se quiser chamar.

É importante que esses grupos tenham, digamos, o apoio oficial, o que pode ser concretizado, por exemplo, escolhendo um dia da semana no qual não se faz nenhuma outra atividade na paróquia a não ser as reuniões dos grupos. Nesse dia, cada qual pega a sua Bíblia, desliga a televisão e vai para o seu grupo.

A outra hipótese também precisa do apoio oficial. Seria dar início a alguns grupos e favorecer, por contágio, a sua multiplicação. É necessário encontrarmos o equilíbrio entre o “espontaneísmo”, que simplesmente espera as coisas acontecerem, e a invasão cultural, que impõe a outros os conceitos de alguém de fora.

É claro que, de qualquer forma, isso exige preparação de uma boa equipe de animadores e um quase indispensável roteiro. Esse roteiro deve ser como uma muleta, que ajuda a caminhar, mas não substitui as pernas. O roteiro não pode, portanto, engessar o grupo e impor-lhe as ideias de quem o preparou. O ideal é apenas provocar, para que o grupo aprenda a refletir e as pessoas se tornem senhoras de si, conscientes de sua identidade e de seus compromissos.

Os passos seguintes

Seja qual for o modelo escolhido para iniciar, é preciso ter em mente o ideal proposto nos nossos documentos e pelo papa Francisco: a rede de comunidades. O primeiro passo é reunir os grupos em plenários: uma vez por mês, reunir todos os grupos ou, pelo menos, bom número de representantes de cada grupo de determinada área para avaliação e troca de experiências sobre as últimas reuniões.

Os plenários já começam a pôr em rede os diversos grupos. As áreas, setores, regionais – ou como se queira chamá-los – que fazem os plenários dos grupos vão, pouco a pouco, organizando-se em comunidades. Essas comunidades seriam redes de grupos menores que se reúnem semanalmente para refletir sobre a sua vida à luz da Palavra de Deus. Seriam, como diz o Documento de Medellín (15,10), as células iniciais de estruturação eclesial, focos de evangelização e fatores primordiais de promoção humana e desenvolvimento.

As comunidades, para terem consistência, vão carecer de alguma organização. Esta deve estar de acordo com a conversão pastoral pedida pelos documentos e pelo papa. Não serão estruturadas autocraticamente nem monarquicamente. O modelo é o reinado de Deus atribuído na Bíblia ao período pré-monárquico, quando quem decidia as questões era o grupo de chefes de família, anciãos ou presbíteros. Assim, quem coordena a comunidade não é uma pessoa, mas um conselho, um grupo de lideranças naturais escolhido pela própria comunidade, pela rede de grupos bíblicos.

Essa comunidade pode e deve também oferecer alguns serviços que cada grupo individualmente não tem condição de oferecer, como catequese, celebrações ou cultos dominicais, ministérios, pastorais etc. Isso é feito de acordo com cada realidade.

Conforme a particularidade das realidades, as comunidades também podem se reunir em redes menores que a paróquia, as quais podem ser chamadas de setores e ter, alguma vez, até mesmo conselhos de setor.

Aí, então, a paróquia terá suas estruturas renovadas, à medida que essas redes de setores, de comunidades e de grupos bíblicos tiverem influência efetiva nas decisões, fornecendo contribuições aos diversos conselhos paroquiais e, quem sabe, discutindo, desde os pequenos grupos bíblicos, algumas grandes decisões a serem tomadas.

A assembleia paroquial terá, então, sentido pleno; terá seus temas debatidos por todos, desde os menores grupos, e a opinião de cada membro da paróquia poderá ter aí o seu peso.

Um problema

Monsenhor Cambron dizia que as comunidades passam pelas três fases da vida de uma pessoa: infância, adolescência, idade adulta. A comunidade criança depende em tudo das autoridades da paróquia; a comunidade adolescente é rebelde, quer fazer tudo por sua conta e do seu jeito; já a comunidade adulta é equilibrada, pede ajuda quando necessário, mas é capaz e precisa de autonomia. Concluo o artigo com dois exemplos que mostram, na prática, um pouco do que foi sugerido na reflexão acima:

– Um membro do conselho de uma comunidade vem dizer ao pároco que peça ao bispo procuração para receber a escritura de um terreno. Só então o pároco fica sabendo: a comunidade tinha um salãozinho pobre, construído de favor, à porta da casa de um sitiante. O dono do terreno era candidato a vereador, mas a maioria dos membros da comunidade trabalhava para outro candidato. O dono do terreno exigiu que a comunidade saísse de lá. O conselho se reuniu, então, com ele, concordou em sair do local e um membro do conselho doou um terreno seu, para ali construírem novo local de encontros e reuniões.

– De uma comunidade da cidade: alugavam uma garagem onde tinham a catequese, faziam as celebrações e outras reuniões. Haviam feito um movimento para poderem comprar um terreno e construir um local. Alguém da comunidade pergunta ao pároco: encontramos um terreno, mas o loteamento ainda não está regularizado, convém comprar ou não? Resposta: “Eu não sei bem como é a situação desses terrenos. Vocês reúnam o conselho e o que resolverem fica resolvido”. Passado pouco tempo, o pároco pergunta à pessoa o que haviam decidido a respeito do terreno. Resposta: “Já estamos respaldando a igreja”.

E, por fim, uma questão relativa a um problema concreto presente em muitas comunidades: quando entra na idade adulta, a gente quer ter autonomia econômica. Nas comunidades acontece o mesmo, mas isso fica cada vez mais complicado. A Receita Federal aperta o cerco – e com razão –, para evitar lavagem de dinheiro. É preciso agrupar todos os recursos na paróquia para se contabilizar tudo corretamente. Com isso, perde-se a autonomia econômica das comunidades. Como dar-lhes essa autonomia sem usar o subterfúgio do caixa dois? Como contabilizar o movimento financeiro das comunidades? O lado econômico, queiramos ou não, tem grande importância para que a comunidade tenha sua margem de autonomia e de verdadeira identidade. Como fazer, então? Fica a pergunta para a continuidade na reflexão sobre o tema.

José Luiz Gonzaga do Prado

Padre da Diocese de Guaxupé-MG; mestre em Teologia pela Universidade Gregoriana (Roma) e mestre em Sagrada Escritura pelo Pontifício Instituto Bíblico (Roma). Autor dos livros A Bíblia e suas contradições: como resolvê-las e A missa: da última ceia até hoje, ambos publicados pela Paulus.
E-mail: zedadonana@gmail.com