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Publicado em Novembro-Dezembro de 1988 (pp. 19-23)

Celebrar a luta pela vida (A liturgia e a caminhada das comunidades)

Por Marcelo de Barros Souza, osb

Em todo o Brasil, já se intensificam os preparativos para o VII Encontro nacional das CEBs em Duque de Caxias (julho de 1989). Há poucos meses atrás, numa assembleia de base, no Nordeste, os grupos discutiam suas propostas para esse encontro. Vários grupos disseram, então: “Queremos que este encontro tenha um caráter marcadamente celebrativo”. O último encontro de Trindade teve esse mesmo teor, quando foi até necessário eliminar o receio de alguns que ouvindo falar de caráter celebrativo, temiam que não fosse prático e até decisivo. Realmente foi uma grande celebração, sinal eficaz da caminhada libertadora das comunidades e movimentos populares. Foi um exemplo significativo de como em toda a América Latina os cristãos celebram a luta pela vida.

O nosso povo liga de modo tão vivo sua fé com a realidade da luta pela vida, que suas rezas e devoções são marcadas pela preocupação com a saúde, com o trabalho, a família e a comunidade. A teimosia com que os pobres perseveram nos seus ritos religiosos fundamentais, independentemente do seu conteúdo racional, tem um valor de resistência e contestação profética implícita. Após séculos de discriminação e perseguição, a sobrevivência e desenvolvimento dos cultos afro-brasileiros é um testemunho de liberdade e de celebração da vida. Há uns anos atrás voltava do norte de Mato Grosso junto como sociólogo José de Souza Martins, que me dizia: “O fato de os posseiros, naquelas fazendas imensas e repressivas, conseguirem se encontrar para cantar suas folias e novenas é praticamente o ato mais revolucionário que podem fazer”.

É necessário saber valorizar e apoiar isso. Entretanto, há atualmente em toda a América Latina um novo modo de celebrar a luta pela vida, que é realizado pelas comunidades de base e pelos movimentos populares. É este jeito específico de celebrar a fé que quero aprofundar mais neste artigo.

 

 

1. Celebrações da caminhada

De uns vinte anos para cá, as comunidades cristãs populares de nosso Continente começaram a buscar, para suas celebrações, uma maior ligação com a vida e com o trabalho de cada dia. Mesmo limitado e ambíguo, o uso dos chamados folhetos litúrgicos para a Missa, apareceu como parte desta preocupação de aproximar mais a Missa da vida da comunidade. Contudo, é bom lembrarmos que, “em cada domingo, mais de cem mil comunidades se reúnem para participar da celebração sem padre”. “Reúnem-se em capelas rurais ou de bairro, em oficinas e garagens, em praças e nas ruas, debaixo de um alpendre ou de uma árvore, ao redor de um cruzeiro, nas periferias e favelas, nos cortiços e alagados, em fazendas, nas matas, nas praias e nos acampamentos de sem-terra”. (cf. Ione Buyst. Celebração do Domingo. Vozes, 1988, p. 9).

Essas celebrações de base são fundamentais para a caminhada. Mas também são de grande importância as grandes, e cada vez mais frequentes, celebrações regionais. Ocorrem no jubileu de um bispo ou diocese, aniversário da morte de um mártir local, entrada numa terra… nas vitórias e conquistas dos pequenos. Desse tipo há, em cada ano, em quase todas as regiões do Brasil, uma “Romaria da Terra”. Na maioria dos casos, a Romaria da Terra é feita no mesmo contexto das romarias tradicionais de Canindé, Bom Jesus da Lapa ou Trindade. Mas, em várias regiões, o povo que antes só se mobilizava em peregrinação a um lugar sagrado, agora peregrina também para um novo tipo de santuário, seja à terra onde aconteceu no início do século o massacre do povo do Contestado (Santa Catarina, 1916), seja a um atual assentamento de lavradores ou a um terreno de conflitos.

Esta maior relação entre celebração e luta pela vida, começa a marcar também comunidades e sínodos de outras Igrejas cristãs, como a Igreja Evangélica de confissão luterana no Brasil, a Igreja Metodista, a Igreja Episcopal e a Igreja Presbiteriana Independente.

Vale a pena lembrarmos rapidamente alguns elementos que são mais comuns e caracterizam esse tipo de liturgia.

 

2. Elementos constantes nos ritos da caminhada

Pouco a pouco, e de modo quase espontâneo, vai se formando um estilo próprio de celebrar a caminhada e a luta das comunidades. Não se trata de um outro rito diferente da tradição, mas de um modo mais inculturado de viver a mesma liturgia.

 

2.1. Ambiente físico

O próprio modo de dispor o lugar da celebração indica a visão que se tem da liturgia, de Deus e do povo. Dificilmente se conseguiria fazer uma celebração popular num templo onde o presbitério é bem afastado do povo, e o altar fica em cima de grandes degraus. Geralmente as comunidades mais engajadas organizam o espaço da celebração como profecia do mundo pelo qual trabalham. Todos se põem, na medida do possível, em círculo, ao redor do altar. O material usado no culto é mais simples e ajuda a ter uma maior informalidade na celebração.

 

2.2. Participação

As comunidades ressaltam o caráter de comunicação que a liturgia tem. Há um clima de diálogo e participação de todos. Então, de fato, a celebração é um exercício de maior democracia e unidade.

 

2.3. Cânticos

Nos últimos anos surgiram muitos cânticos da caminhada: “Nossa alegria é saber que um dia”; “Quero entoar um canto novo de alegria”; “A classe roceira” e tantos outros. As melodias são simples e as letras falam da realidade da vida do povo e de suas esperanças. Manifestam como o povo liga sua fé com a luta pela justiça.

 

2.4. Símbolos

O povo gosta dos símbolos religiosos e sua cultura é rica de elementos que fazem o corpo rezar, pondo-nos em sintonia com a terra e as coisas simples da vida. A liturgia católica, a partir do concílio, empobreceu-se um pouco destes símbolos. Agora a pastoral popular os tem revalorizado. Não qualquer símbolo, mas os que expressam a fé e a vida das comunidades. Símbolos antigos, como a Bíblia, a cruz, a luz e a água são retomados e usados de modo mais livre e popular. Outros elementos, mais da situação atual, tomam também um caráter sacramental: uma porção de terra, uma camisa ensanguentada, o plantio de uma árvore, um ramo de folhagem, uma enxada ou outro instrumento de trabalho, uma canga, um pedaço de arame e muitos outros. Num encontro sobre Romarias da Terra, os grupos regionais contaram 65 elementos usados como símbolos nas romarias. São todos símbolos da luta pela vida.

 

2.5. Gestos

A caminhada popular valoriza os gestos tradicionais (sinal da cruz, ajoelhar-se…), incorporou outros da oração bíblica (descalçar os pés, beijar a terra, elevar as mãos, bater palmas…), e ainda vários da realidade atual (dar as mãos, passar a Bíblia ou uma grande cruz de cabeça em cabeça pelo meio do povo…). Toda a luta pela vida é para quem crê, impregnada de gestos litúrgicos. Às vezes até se torna necessário ajudar aos companheiros perceberem o necessário caráter secular do movimento social. No ano passado, um grupo de lavradores acampou diante do Palácio do Planalto. Um dia viram a polícia se preparar para tirá-los dali. Alguém naturalmente entoou: “A nós descei divina luz”… Numa outra ocasião, um grupo de posseiros urbanos ocupou um bloco de edifícios que a COHAB deixara inacabado. As pessoas entraram com uma grande cruz à frente, cantando cânticos bíblicos.

 

2.6. Conteúdo em palavras

Evidentemente, em uma liturgia cristã, a Palavra é fundamental. Nas celebrações da caminhada se revalorizou muito esse elemento. Muitas vezes é o elemento predominante. As comunidades amam muito a Bíblia e a leem ligada à realidade. Procura-se fazer com que, tudo o que seja falado, seja compreendido por todos. Às vezes os agentes de pastoral se preocupam com um tema que dê unidade à liturgia. Em geral, não é pelo discurso e pela lógica racional que uma celebração se torna mais popular e engajada.

 

3. Liturgia, celebração da vida

A liturgia cristã é sempre sacramento da salvação. Isso significa que toda celebração, se é cristã, celebra a ação libertadora do Senhor no mundo. Essa relação com a vida, a liturgia cumpre de duplo modo:

a) Enquanto memorial, retoma os gestos e palavras do Senhor. Está ligada à história.

b) Ao mesmo tempo, a liturgia revela que esta salvação que o Cristo traz acontece hoje. Tem uma eficácia atual. Nas lutas, sofrimentos e opressões do povo de hoje, a Páscoa do Senhor continua se realizando. Ela se manifesta vencedora na união, organização, conquistas e vitórias dos pequenos.

 

Entretanto, não basta que a Igreja diga que a liturgia é, em si mesma, libertadora. Não é suficiente a intenção, ou que simbolicamente e “espiritualisticamente” a salvação aconteça. Mesmo se cremos nisso, é necessário mais. E no Brasil é caso de vida ou de morte que a salvação seja concreta e venha logo. Profeticamente, nossas celebrações devem mostrar sua relação com a vida através do engajamento na caminhada de libertação do povo. Os sinais litúrgicos são, então, antecipação aqui e agora da salvação total que anunciamos e esperamos.

Celebrando a luta pela vida em suas formas bem concretas: da luta pela terra, da organização de base, e de quaisquer problemas da realidade, a caminhada das comunidades dá às suas celebrações um acento marcantemente escatológico. Não no sentido convencional, mas na linha evangélica de ruptura com este mundo (sociedade) e anúncio de uma nova ordem: o Reino já presente nos sinais da comunidade.

 

4. A relação com Deus na celebração da vida

Quem participa dos grupos e movimentos de base, pode notar claramente que a caminhada dos pobres está repleta da presença de Deus. Quase chega a ser palpável a inspiração e a força do Espírito no meio da luta pela terra, dos movimentos de posseiros urbanos, dos operários, das domésticas, dos índios e dos sofredores de rua.

Como todo esse movimento aconteceu, quase como uma irrupção da cultura dos pobres dentro da liturgia, é compreensível que necessite agora de uma síntese. Alguns aspectos merecem ser revistos, ou mesmo corrigidos, para melhor se aproveitar os imensos benefícios dessas experiências.

Certamente é bom partirmos da própria motivação que a comunidade tem ao celebrar. Uma caminhada como esta pela libertação, ou toma a vida, o pensamento e todo o ser da pessoa, ou não se realiza. Os problemas são tantos, os riscos e tensões tão frequentes, que é muitas vezes para quem participa o assunto e interesse únicos. Isso é compreensivo e correto, mas para o próprio bem da causa, tem de ser visto dentro de um conjunto que se situa aqui e agora, e se alarga muito mais. Esse é um desafio das celebrações da caminhada. Os grupos têm suas reuniões e manifestações próprias e a celebração não é apenas uma reunião a mais para conscientizar o povo, ou para debater problemas, ou reforçar a base. A motivação fundamental para uma celebração é a relação com Deus. Ali os cristãos se reúnem para terem um sinal da presença do Senhor que trabalha com eles na luta pela vida. Ali recebem dele a comunhão que os une e fortalece. Para celebrarmos é, então, essencial a opção de fé, não sectária ou triunfalista com relação aos companheiros que não creem, mas como relação pessoal e comunitária com o Deus vivo. Não é uma relação desligada da vida, é, ao contrário, uma aliança que fortalece o crente na luta pelo Reino, e já a manifesta. Isso não tem nada de alienação. É integração da dimensão social com o aspecto pessoal da fé. Celebrar a luta pela vida é contemplar a presença do Senhor no meio da caminhada do seu povo. Não basta dizer que ele aí está. É preciso trabalhar com ele mediante engajamento sociopolítico. Quem tem fé quer mais ainda. Quer se relacionar com ele na intimidade do amor. O povo tem direito a isso. Muitas vezes as pessoas antes de entrarem na caminhada nova viviam isso. Por que a caminhada as faria perder esta alegria? É, sem dúvida, outro desafio importante para as celebrações da caminhada a de explicitar melhor essa dimensão orante.

As celebrações populares fazem muito bem em se distanciar de um estilo religioso genérico, ao qual nossa sociedade é simpática. Um sistema que escreve em seu dinheiro: “Nós confiamos em Deus” e promove dias nacionais de ação de graças, faz o nosso Deus parecer com o bezerro de ouro (cf. Ex 32). Não é este o Deus do nosso culto. Ronaldo Caiado tinha razão quando declarou: “O meu Deus não é o mesmo de Pedro Casaldáliga e de Tomás Balduíno” (cf. O Popular, Goiânia, 14/8/1986).

O Deus que adoramos e servimos é o Deus da vida que desceu no Egito para fazer o povo subir para a terra prometida, e se revela como Deus da justiça e da libertação (cf. Ex 3; Mq 6,8; Sl 82). É o Deus Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual somos adotados e libertos. Celebrando este Deus, a Pastoral Popular é anti-idolátrica, mas como os profetas bíblicos tem de ser profundamente tocada pela busca da intimidade com o Senhor.

 

5. Algumas propostas concretas

5.1. Integrar a celebração da luta na tradição litúrgica

Não ganhamos nada em nos isolar. Por exemplo, é necessário valorizar o ano litúrgico no que ele tem de universal e possível de ser brasileiro. A nossa história recente fica bem valorizada no âmbito da história maior. A liturgia cristã sempre celebra fatos e não temas. A luta pela vida não é um tema para ser desenvolvido. É a realidade a partir da qual celebramos e à qual a liturgia deve levar.

 

5.2. A gratuidade na liturgia

Se a liturgia é como um ensaio e profecia da vida nova, é fundamental que se cuide da beleza, tanto do espaço como da própria celebração. Uma beleza simples, mas reveladora do amor à vida e ao Senhor.

 

5.3. Os salmos na liturgia

As comunidades que têm usado os salmos (em letra e melodias brasileiras) têm descoberto como ajudam a ligar a nossa caminhada com a da Bíblia, e a fazer da vida louvor e oferenda ao Senhor.

 

5.4. Silêncio e calma

Tanto para apoiar a oração pessoal, como para humanizar a própria caminhada, muitos grupos têm percebido o valor de reincorporar no culto momentos de silêncio. Cuidar do ambiente calmo humaniza o culto e ajuda as pessoas a serem, no conjunto da vida, mais sensíveis ao diálogo e à escuta.

 

5.5. Ecumenicidade

Na caminhada dos grupos participam cristãos de várias Igrejas. Celebra-se melhor a luta pela vida quando a celebração está aberta aos outros irmãos. Mesmo se irmãos de outras Igrejas não estão em nossa liturgia, é importante que tenha uma dimensão ecumênica, universal e não sectária.

 

5.6. Ofício Divino das comunidades

Para celebrar a luta pela vida, a Pastoral revaloriza o jeito do povo rezar e celebrar a fé. Nesta linha, muitas comunidades engajadas estão retomando o costume antigo e popular do Ofício. Em várias regiões do Brasil, o povo ainda reza o Ofício de Nossa Senhora, Ofício das Almas e outros. Essa prática vem de um tempo em que o povo era marginalizado do Ofício Divino, restrito ao clero e religiosas. Queria também ser proclamador do louvor de Deus, e reuniu o “seu” Ofício. De algum modo, tinha consciência de que aquele tipo de oração era especial. Era não uma devoção particular, mas o que depois em certas tradições se chamaram correntes de oração. Não a dizia de qualquer maneira, ou em uma posição qualquer. Mesmo sem o expressar claramente em noções teológicas, cria que se tratava do louvor que o povo de Deus oferece ao Senhor, tornando sua a própria oração de Jesus Cristo. Hoje sabemos que a Igreja é formada de cada comunidade concreta e que não dependemos de fórmulas para louvar o Senhor. Sabemos também que todo trabalho é ofício divino. É direito das comunidades expressarem isso neste tipo de Oração; ela oferece um ponto de referência que une os textos e sinais da liturgia e a maneira de rezar do nosso povo.

Uma equipe formada por pessoas de várias regiões do Brasil compôs um livro para este “Ofício Divino das comunidades”. Desde o Advento de 1987, muitos grupos o usam com proveito, assumindo o esquema e adaptando-o à comunidade local.

 

6. Ainda uma lembrança

Há uns meses atrás, fui a um show da Mercedez Soza. Era uma noite quente e o ginásio estava superlotado. No palco havia apenas três instrumentistas, um banquinho, um tambor e um microfone. De repente, as luzes iluminam o centro do palco. Entra então a cantora, iniciando a noite com uma espécie de “cântico de entrada”. A música e a letra eram adequadas: “Todavia cantamos, todavia lutamos, todavia esperamos…”. Todos estão, naturalmente, de pé e a aplaudem. Observo bem: ela veste um longo poncho indígena. Era diferente do vestido usual com que aparecia nos jornais durante o dia. Agora está paramentada para uma celebração. Não é uma roupa prática para o calor do Rio, mas é importante como elemento de comunicação simbólica. Sempre cantando, passeia pelo palco com as mãos acenando à plateia, num gesto de envolvimento. Milhares de vozes a acompanham pelos caminhos da América Latina. Ela conseguiu unir todos num sentimento: “Dá tua mão ao índio”. “Quantas vezes me mataram, entretanto estou aqui ressuscitando”. “O povo do Chile logo será libertado”. Para que conversas ou lições faladas didaticamente? Agora um lenço branco é o símbolo litúrgico. Acena-o com um ar de imensa ternura. As pessoas vibram. Ao meu lado um combatente, “velho de guerra”, chora como criança. Mudei de lugar para ver se teria aquela mesma sensação. Parecia bobagem, mas eu diria que ela me olhava… olhava para mim… e com carinho. Do lado de lá do estádio, me senti ainda olhado e amado. Ela estabelecia aquela relação de ternura com cada um daquela imensa massa. Agora era uma assembleia litúrgica.

Cantou umas dezesseis canções. Delas, talvez, havia cinco ou seis novas. Mas o povo vibrava mesmo com as antigas: “Me mandaran una carta”. “Volver a loa diecisiete” e a mais velha de todas, “Gracias a la vida”. Ela percebe que a liturgia é repetição amorosa, revivência. Criança gosta mais de ouvir as mesmas histórias, reviver as mesmas emoções.

Alguém lhe entregou rosas. Jogou com amor uma, duas, três… Era o momento da comunhão.

Que nossas liturgias, mesmo na simplicidade de cada grupo e na diferença de um show técnico, possam ter a mesma vida. Ressoem os versos que se espalhavam naquela noite:

“Podemos mudar a história, caminhar para a vitória, podemos criar o futuro e romper todos os muros. Se unirmos nossas mãos, se vivermos como irmãos romperemos o impossível: ser um povo de homens livres”.

 

Marcelo de Barros Souza, osb