Carta do editor

Janeiro – Fevereiro de 2020

Sinodalidade e Conversão Pastoral

Prezadas irmãs, prezados irmãos, graça e paz!

Iniciamos um novo ano. O tempo se abre como possibilidade de reavivarmos o dom que recebemos de Deus, como bem lembra o apóstolo são Paulo na carta a Timóteo: “reacenda o dom de Deus, que está em você” (2Tm 1,6). Reacender o dom é deixar que o Espírito nos ilumine para que nossas forças não sejam empregadas em vão. Há em nós uma centelha divina que nos faz enxergar para além dos desânimos e fadigas do cotidiano. É hora de levantar a cabeça, com os pés firmes na realidade e ver os horizontes de esperança que se apresentam para nós.

De fato, é a esperança que move a vida cristã. Somos o povo da espera (Ex 3,7-14) e, à semelhança dos primeiros discípulos de Jesus, carregamos em nós a força e a capacidade de sempre recomeçar. No evento da cruz, o grande sinal da revelação plena do amor, quando tudo parecia terminado, foi então que tudo começou (Lc 24,13-35). Para nós, o passado e o futuro são horizontes que apontam para a esperança.

É nessa perspectiva que Vida Pastoral inicia o ano de 2020, com o espírito renovado. Na esteira do dinamismo do apóstolo são Paulo e em sintonia com o pensamento do papa Francisco, o tema de capa desta edição trata de um assunto fundamental para o anúncio integral do evangelho: sinodalidade e conversão pastoral.

Sinodalidade provém da palavra sínodo, que significa caminho feito juntos. Sabe-se que os primeiros seguidores de Jesus eram identificados pela característica de caminhar juntos (At 9,2; 22,4). Apesar das perseguições, que não eram poucas, os discípulos caminhavam unidos, sabendo que a condição humana está destinada para a vida, e não para a morte. O Concílio Vaticano II expressou bem a dimensão de uma Igreja sinodal (cf. Lumen Gentium) e a necessidade de renovação, de modo que a mensagem da salvação não seja aprisionada (cf. 2Tm 2,9), mas toque o coração da humanidade hoje. À luz do Concílio, também as Conferências Episcopais da América Latina e do Caribe intensificaram o dinamismo eclesial, convocando os seus membros a viverem no espírito de comunhão e participação. Merece especial destaque as Conferências de Puebla (1979) e de Aparecida (2007).

Nessa perspectiva, o Cônego Sérgio Conrado discorre em seu artigo sobre a sinodalidade como o caminho que Deus espera da Igreja hoje. Para tanto, adverte sobre a necessidade de verdadeira conversão pastoral, evidenciando, assim, o que Francisco tem insistido desde o início de seu pontificado. Para Faustino Teixeira, a grande riqueza do pensamento do pontífice está em defender o desafio dialogal, o respeito à consciência e o direito ao pluralismo religioso, como expressões do anúncio, pontuado pelo testemunho, pela solidariedade e pela acolhida. Pe. Elcio Cordeiro, por sua vez, apresenta uma característica peculiar da missão de Francisco, a sua especial ternura pelos preferidos de Jesus, os pobres. Finalmente, numa perspectiva de abertura e acolhida, pe. Erivaldo Dantas alarga a compreensão de uma das expressões mais marcantes do pontificado de Francisco, a “Igreja em saída”, como uma Igreja decididamente missionária, capaz de sair da autorreferencialidade.

Para os roteiros homiléticos, acolhemos a preciosa colaboração de pe. Francisco Cornélio, que irá nos brindar com suas reflexões durante este ano.

Boa leitura!
Pe. Antonio Iraildo Alves de Brito, ssp
Editor