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Publicado em setembro – outubro de 2026 - ano 67 - número 371 - pp. 14-21

OS REINOS BESTIAIS E O REINADO HUMANO EM DANIEL 7; Crítica apocalíptica ao poder imperial

Por Ir. Dra. Aíla Luzia Pinheiro de Andrade*

O presente artigo oferece uma análise de Dn 7, abordando a apocalíptica como fenômeno religioso e literário, a simbologia das visões e a promessa de um reinado humano. Trata-se de uma pesquisa qualitativa que enfoca Daniel 7 como expressão da teologia da soberania divina na história.

 

1. A apocalíptica como fenômeno literário e de resistência

Quando estruturas de poder parecem incontestáveis, os apocalipses oferecem às comunidades perseguidas uma perspectiva alternativa, fundamentada na convicção de que Deus está no controle, mesmo quando a realidade sugere o contrário. Assim, sua função principal é alimentar a esperança e sustentar a fé em tempos de perseguição.

A apocalíptica estrutura-se com base na ideia de um conflito cósmico que culmina em uma intervenção decisiva de Deus, que derrota o mal e restaura a justiça. Essa realidade é revelada a um vidente venerável por meio de revelação divina, geralmente mediada por anjos, envolvendo visões, êxtases e viagens celestiais que mostram os eventos antecedentes ao fim dos tempos (Collins, 2010, p. 22-25). Seus símbolos (animais, cores, números e figuras) não são meros artifícios ornamentais, mas elementos estruturais que permitem a reflexão aprofundada sobre situações extremas vivenciadas pela comunidade de fé. Por isso, sua interpretação exige atenção ao contexto histórico e à função dos símbolos na construção do significado teológico (Collins, 2010, p. 46).

Na Bíblia hebraica, a apocalíptica surge como resposta à tensão entre as promessas proféticas de restauração e a realidade das comunidades judaicas no período do Segundo Templo, quando o retorno do exílio babilônico não resultou no reino messiânico nem na plena restauração nacional esperada (Settembrini, 2022, p. 1.203). Essa disjunção entre expectativa profética e realidade histórica criou um vácuo hermenêutico que a literatura apocalíptica tentou preencher.

A apocalíptica judaica desenvolveu-se como resposta teológica à dominação estrangeira e às perseguições após o retorno do exílio, sendo também influenciada pelo dualismo cósmico do zoroastrismo persa, que estabelecia a oposição entre forças de luz e forças de trevas (Boyce, 1984, p. 72). Diante do sofrimento dos justos e do aparente triunfo dos ímpios, a apocalíptica desenvolveu uma cosmologia mais complexa com base em um dualismo cósmico, segundo o qual forças malignas poderosas atuam no mundo independentemente da vontade humana, mas, em última análise, submetidas ao controle divino (Marconcini, 2022a, p. 118-119).

2. O livro de Daniel como obra apocalíptica paradigmática

O livro de Daniel é a expressão mais completa da apocalíptica no cânone hebraico e funciona como modelo desse gênero na tradição judaico-cristã. Sua estrutura divide-se em duas partes; a primeira (Dn 1-6) contém narrativas sobre Daniel e seus companheiros na corte babilônica, escritas majoritariamente em aramaico. Essas histórias mostram que Deus protege os justos mesmo em terra estrangeira e humilha governantes arrogantes que o rejeitam (Grelot, 1993, p. 19-21).

A segunda parte (Dn 7-12) apresenta visões pessoais de Daniel interpretadas por seres celestiais, marcando uma mudança literária e teológica em relação às narrativas iniciais. Esses capítulos, escritos em aramaico (7-11) e hebraico (12), refletem o contexto do período helenista e tratam da história das nações, culminando na ideia da ressurreição dos mortos. A LXX inclui dois capítulos: Susana (Dn 13) e Bel e o Dragão (Dn 14) (Grelot, 1993, p. 21-24).

Embora o livro de Daniel se apresente como ambientado no exílio babilônico do século VI a.C., a maioria dos estudiosos entende que sua forma final foi composta durante a perseguição de Antíoco IV Epífanes (167-164 a.C.). A descrição detalhada desses acontecimentos, sobretudo em Daniel 11, sustenta essa datação e indica que o livro buscava encorajar os judeus perseguidos, afirmando a soberania de Deus e a certeza de sua vitória final (Marconcini, 2022b, p. 333-334).

O tema geral que perpassa o livro de Daniel é a soberania de Deus sobre a história (Grelot, 1993, p. 45). Nas narrativas iniciais, essa soberania aparece em eventos como a preservação dos jovens na fornalha, a restauração de Nabucodonosor e o livramento de Daniel na cova dos leões; nas visões posteriores, ela se amplia para a história universal, revelando que todos os reinos fazem parte do plano divino.

3. Daniel 7 como denúncia teológica da bestialização do poder político

O texto de Dn 7 faz uma transição entre as narrativas da primeira seção e as visões mais complexas dos capítulos seguintes, funcionando como um díptico (uma dobradiça) entre as duas metades do livro.

O capítulo avança na visão dos quatro monstros e do tribunal celestial (7,2-14), com sua interpretação (7,15-18), dando destaque especial à quarta besta e ao pequeno chifre (7,19-27). Esse enfoque denuncia a forma extrema de poder opressor desse último reino e afirma que o domínio final pertence a Deus e será entregue ao povo dos santos do Altíssimo. A repetição dos temas, as menções aos monstros, ao julgamento divino e à entrega do reino reforçam o contraste entre o poder bestial dos impérios e o reinado humano. Enquanto os reinos da terra surgem como monstros do mar, o verdadeiro poder aparece na figura humana vinda das nuvens, simbolizando a restauração da humanidade como fundamento do reinado desejado por Deus.

As visões recebem, como introdução, a imagem do mar agitado pelos quatro ventos do céu (Dn 7,2). No imaginário do Antigo Oriente Próximo, o mar representava o caos e as forças ameaçadoras à vida. Isso indica que os elementos que se seguirão na visão procedem de um ambiente marcado por forças destruidoras (Collins, 2010, p. 153-154).

Do mar surgem quatro monstros distintos, cujas formas híbridas ou exageradas intensificam a estranheza e a violência da visão. As figuras bestiais simbolizam o poder político desumanizado, um recurso crítico ao fato de que, na propaganda imperial do Antigo Oriente, os reis eram simbolizados por animais majestosos, como leões ou águias (Grelot, 1993, p. 21).

A progressão das imagens expressa uma intensificação da violência: cada uma surge exercendo domínio e destruição. Essa linguagem ressalta o caráter predatório desses poderes, simbolizando sistemas políticos baseados na força e na subjugação dos povos. A metáfora animal torna visível a lógica predatória que estrutura tais formas de poder (Grelot, 1993, p. 36).

Em Dn 7,4, o primeiro monstro aparece como um leão com asas de águia, símbolos tradicionais de poder e majestade no Antigo Oriente Próximo. A visão, porém, apresenta uma mudança: suas asas são arrancadas, ele é erguido para ficar de pé como um humano e recebe um coração humano. Essa mudança constitui um elemento interpretativo decisivo na narrativa simbólica. A retirada das asas, que eram sinal de mobilidade, é acompanhada por um processo de humanização que contrasta com a lógica bestial associada ao domínio violento. Assim, a cena sugere que a condição verdadeiramente humana se opõe à dinâmica predatória do poder imperial.

O segundo monstro, semelhante a um urso, aparece erguido de um lado, com três costelas entre os dentes, e recebe a ordem de devorar mais carne (Dn 7,5). A imagem destaca sua brutalidade e voracidade, simbolizando um poder político marcado pela guerra contínua e pela destruição e subjugação de outros povos. A imagem sugere um sistema predatório, cuja expansão e manutenção dependem da apropriação violenta de recursos, territórios e pessoas (Baldwin, 2017, p. 148).

O terceiro monstro, semelhante a um leopardo com quatro asas e quatro cabeças (Dn 7,6), simboliza um poder de expansão rápida e capacidade de governar múltiplos territórios. Contudo, o texto ressalta que seu poder é limitado e subordinado à soberania divina (Baldwin, 2017, p. 148), antecipando, assim, uma crítica mais ampla à pretensão de permanência e legitimidade dos sistemas políticos baseados na dominação.

A quarta figura bestial (Dn 7,7-8) é apresentada como a mais terrível da visão, sem comparação com qualquer animal conhecido, para enfatizar seu caráter monstruoso. Dotada de dentes de ferro, ela devora, esmaga e destrói totalmente, simbolizando um poder político de dominação extrema. Seus dez chifres reforçam essa imagem ao representar força ampliada e uma estrutura de poder particularmente intensa e complexa (Baldwin, 2017, p. 148).

A imagem do quarto monstro simboliza uma violência totalizante, em que o poder imperial ultrapassa a conquista territorial e se torna um sistema que destrói e absorve tudo ao seu redor. Ela representa um poder marcado pela opressão extrema e pela eliminação da autonomia dos povos submetidos (Collins, 2010, p. 154).

3.1. O pequeno chifre e a radicalização do poder opressor

Em continuidade às visões, surge um pequeno chifre entre os dez, por causa do qual três são arrancados, indicando uma disputa dentro da própria estrutura de poder. Diferentemente dos demais, esse chifre possui olhos humanos e uma boca arrogante, símbolos de vigilância estratégica e de um discurso que tem pretensão de poder absoluto. O pequeno chifre simboliza não apenas o poder político ou militar, mas também sistemas de poder que se sustentam tanto pela violência quanto pela autolegitimação retórica de sua superioridade.

Após a visão das feras e do pequeno chifre, Daniel busca compreender o significado do quarto monstro (Dn 7,19), dos dez chifres e do chifre que surge depois (Dn 7,20), símbolos de uma estrutura complexa de poder político, o qual se exacerba pela ascensão de uma autoridade particularmente agressiva dentro do mesmo sistema.

A visão se intensifica quando o pequeno chifre passa a guerrear contra os santos, indicando um conflito não apenas político, mas também religioso e ético (Dn 7,21). A expressão “santos”, no contexto do capítulo, refere-se à comunidade que permanece fiel às suas tradições, mantendo valores e práticas incompatíveis com a ideologia imperial. O texto de Dn 7 está mostrando uma violência que se intensifica no curso da história, culminando em um desfecho terrível. Nessa perspectiva, a história é compreendida como uma trajetória que tende ao agravamento do mal até o momento final (Baldwin, 2017, p. 149).

Alguns intérpretes identificam o pequeno chifre com Antíoco IV Epífanes (175-164 a.C.), cuja ascensão ao poder envolveu a remoção de rivais dinásticos e alianças políticas estratégicas. A descrição do chifre refletiria seu caráter, especialmente expresso no título “Epífanes” (“deus manifesto”) (Marconcini, 2022b, p. 335).

O pequeno chifre é descrito como alguém que blasfema contra Deus, persegue os santos e tenta alterar os tempos e a Lei (Dn 7,25). Essa descrição é frequentemente associada às medidas de Antíoco IV, que proibiu práticas centrais do judaísmo (1Mc 1,44-61; 2Mc 6,18-31) e profanou o templo de Jerusalém ao introduzir o culto a Zeus (2Mc 6,2), evento visto como a “abominação da desolação” (Dn 11,31; 1Mc 1,54) e contexto do surgimento de Dn 7.

Este artigo opta por não identificar os reinos de Daniel com impérios históricos específicos, mas vê-los como representações de sistemas políticos opressores que continuam ao longo da história (Dn 7,12), segundo a compreensão de que, mesmo que Dn 7 esteja ambientado no tempo dos Selêucidas, as visões transcendem os limites históricos e representam qualquer sistema político opressor (Baldwin, 2017, p. 149).

3.2. O tribunal celestial e o reinado humano

Em Dn 7 ocorre uma mudança decisiva da visão das feras para a cena da corte celestial, revelando que, apesar do aparente triunfo do mal na terra, a soberania final pertence a Deus. Assim, em 7,9, o terror das bestas é superado pela manifestação da majestade divina (Collins, 2010, p. 154). Daniel vê um trono e um “Ancião avançado em idade”, cuja aparência (vestes brancas e cabelos como lã) simboliza pureza, sabedoria e autoridade. O trono desse Ancião é descrito com as imagens de fogo e de um rio ardente (Dn 7,9), cercado por uma multidão que o serve.

A cena se configura como uma corte celestial que inicia o julgamento dos poderes dos reinos bestiais (Dn 7,10). Vários tronos são ocupados por conselheiros celestiais que participam do governo divino. A abertura dos livros indica um julgamento baseado em registros e evidências, e sua consequência imediata é a condenação e destruição total do quarto monstro (Dn 7,11).

Causa surpresa que os três primeiros reinos mencionados na visão ainda continuem existindo (Dn 7,12). Isso sugere que os poderes que esses reinos simbolizam mantêm certa continuidade histórica, embora seu domínio seja limitado por um tempo dentro do plano divino (Baldwin, 2017, p. 150-151).

Após a destruição do quarto monstro, surge uma nova figura, “semelhante a um ser humano”, que vem “entre as nuvens”, é conduzida à presença do Ancião (Dn 7,13) e recebe autoridade, honra e reconhecimento de todos os povos (Dn 7,14). Seu domínio é descrito como permanente e legítimo, em contraste com o caráter passageiro dos reinos anteriores. A expressão aramaica kevar enash (“como um filho de homem”) é intencionalmente ambígua. Ele é apenas como um ser humano, do mesmo modo que os animais são como um leão ou um urso. Enquanto as feras simbolizam reis desfigurados pela opressão e pelo caos, a figura que vem “entre as nuvens” representa o ideal do ser humano conforme a imagem de Deus (Gn 1,26-27) (Baldwin, 2017, p. 151).

Em Daniel 7, as expressões “santos do Altíssimo” (v. 18) e “povo dos santos do Altíssimo” (v. 27) são sinônimas e centrais para a interpretação da visão. Como o reino é concedido tanto a eles (v. 22) quanto ao que é “semelhante a um filho de homem”, esta figura pode ser entendida como uma representação simbólica e coletiva da comunidade fiel.

O termo “santos”, em Dn 7, é frequentemente entendido como referência aos judeus que permaneceram fiéis durante a perseguição de Antíoco IV. Isso significa que sua posição na nova ordem política não está relacionada a uma resistência militar, mas sim à confiança na soberania de Deus, que conduz a história e realizará a libertação de seu povo (Asurmendi, 2000, p. 503; 516).

Teologicamente, a promessa de que os santos receberão o reino traz implicações universais para todas as comunidades de fé subsequentes. O domínio não é obtido por conquista militar, mas concedido por Deus àqueles que permanecem fiéis. Essa inversão radical das expectativas políticas convencionais, na qual o poder é concedido não aos conquistadores militares, mas aos oprimidos e perseguidos, oferece esperança transformadora aos leitores de todos os tempos.

Um aspecto frequentemente pouco explorado na estrutura da visão de Dn 7 é o contraste cosmológico entre a origem das bestas e a origem da figura “semelhante a um filho de homem”. Enquanto os monstros emergem do mar (caos), a figura humana vem “entre as nuvens”.

Daniel 7 oferece uma reflexão teológica sobre o poder político e o destino da história. Sua leitura deve considerar tanto o contexto original do texto quanto os padrões recorrentes de dominação e resistência que a literatura apocalíptica procura desvelar.

Considerações finais

A perícope de Dn 7 apresenta uma reflexão sobre a relação entre poder político, violência e esperança. Ao retratar os reinos humanos como monstros que emergem do caos, o texto critica simbolicamente sistemas políticos baseados na dominação e na violência, destacando seu caráter desumanizador. Nesse sentido, a figura do pequeno chifre representa a intensificação dessa lógica do poder, marcada por arrogância, perseguição aos fiéis e tentativa de controlar a vida religiosa e social. Embora reflita historicamente as políticas de Antíoco IV Epífanes, o simbolismo indica um padrão recorrente de dominação na história humana.

O reinado humano, em oposição aos reinos bestiais, não constitui a legitimação de uma nova forma de poder imperial, mas a afirmação de uma profunda inversão teológica. Em contraste com os reinos bestiais, que emergem do mar, o domínio final é concedido à comunidade fiel. A visão aponta para uma dimensão coletiva: o verdadeiro poder pertence à comunidade que persevera na justiça e na fidelidade.

A teologia de Dn 7 reconhece a violência histórica, mas afirma que os reinos bestiais são transitórios e subordinados ao julgamento divino. A perseguição dos justos faz parte de um processo histórico que permanece sob a soberania de Deus, que garante a preservação da comunidade de fé até a manifestação final da justiça. A força simbólica dessa mensagem permitiu que Dn 7 fosse relido por judeus e pelos primeiros cristãos como um recurso teológico para compreender sistemas de poder que buscam o controle absoluto sobre a vida social, política e religiosa.

Nos Evangelhos, essa releitura assume uma forma particular quando a figura “semelhante a um filho de homem” é retomada por Jesus para falar de si mesmo. Ao utilizar o título “Filho do Homem”, Jesus não reivindica um poder imperial, mas manifesta a verdadeira vocação humana anunciada na visão de Daniel. Nos próprios Evangelhos, porém, essa figura assume um caminho inesperado: o Filho do Homem não apenas recebe autoridade, mas também percorre o caminho do sofrimento e da entrega da própria vida. Assim, a esperança apocalíptica de Daniel é reinterpretada à luz da cruz, na qual o poder humano aparece não como dominação, mas como serviço radical e solidariedade com os que sofrem.

Embora ancorado em seu contexto original, Dn 7 permite identificar padrões recorrentes: regimes centralizados, opressivos e ideologicamente manipuladores que refletem a lógica desumanizadora dos reinos bestiais. O valor do texto está em fornecer uma chave simbólica para refletir sobre poder, violência e justiça ao longo da história, e não em corresponder diretamente a figuras históricas específicas. Nesse horizonte, a releitura evangélica apresenta Jesus como a realização antecipada dessa esperança: nele, o poder não se expressa pela força que submete, mas pela vida que se doa e recria relações. Assim, o “humano” de Daniel deixa de ser apenas uma promessa escatológica e torna-se uma realidade histórica, vivida na prática de Jesus.

Por fim, a esperança que transparece em Dn 7 é que o destino da humanidade não está nas mãos dos reinos bestiais, pois o domínio é concedido à humanidade. A releitura cristã dessa promessa aponta para a possibilidade de uma ordem fundada na justiça, na misericórdia e na comunhão, oferecendo esperança às comunidades perseguidas em todos os tempos. Nesse horizonte, a mensagem de Daniel continua atual: sempre que o poder se organiza como violência e dominação, ele se torna bestial. O reinado humano começa quando a vida é colocada acima do poder. É nesse caminho que os Evangelhos apresentam Jesus como aquele que inaugura, na história, o reinado da verdadeira humanidade.

Referências bibliográficas

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MARCONCINI, B. Apocalíptica. In: PENNA, R.; PEREGO, G.; RAVASI, G. (org.). Dicionário de temas teológicos da Bíblia. São Paulo: Loyola: Paulus: Paulinas, 2022a. p. 116-121.

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Ir. Dra. Aíla Luzia Pinheiro de Andrade*

*Ir. Aíla Luzia Pinheiro de Andrade pertence ao Instituto Religioso Nova Jerusalém. É doutora em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (Faje), pesquisadora da Pós-graduação em Teologia na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e autora da Editora Paulus. E-mail: [email protected]